Os novos hábitos de consumo no Brasil, especialmente com a consolidação do comércio eletrônico, tem provocado efeitos que vão além da esfera econômica e comportamental e acabam influenciando na convivência nos condomínios e nas tendências da construção civil.

Isso quer dizer que o crescimento exponencial do número de pedidos de compras on-line — de 66,7 milhões em 2012 para uma estimativa de 435 milhões neste ano — evidencia uma mudança estrutural que impõe novos desafios ao planejamento dos condomínios.

Esses números, quando traduzidos em faturamento, são muito impactantes. Segundo a Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce), o e-commerce brasileiro deverá encerrar 2025 com faturamento de R$ 224,7 bilhões, um crescimento de cerca de 10% sobre o ano passado.

Com tanta gente comprando pelos canais digitais, um problema se apresenta em uma das pontas desse comércio. As portarias dos condomínios estão ficando sem espaço para acomodar o grande volume de entregas, obrigando síndicos e administradores a planejarem soluções.

Em períodos de grande apelo de vendas no comércio virtual, como a Black Friday e o Natal, a situação se agrava porque a velocidade das entregas dos pacotes costuma superar o ritmo de retirada das encomendas pelos moradores.

Empreendimentos entregues há pouco mais de uma década refletem um tempo em que o volume de encomendas era significativamente menor e, portanto, não demandava soluções específicas. A realidade atual, no entanto, é outra. Portarias sobrecarregadas, riscos de extravio e impactos na rotina de funcionários e moradores tornaram-se questões recorrentes, exigindo respostas do setor imobiliário e da gestão condominial.

As construtoras, em seus empreendimentos mais recentes, parecem ter compreendido essa tendência e incorporando espaços dedicados ao recebimento e armazenamento de encomendas — como os chamados Delivery ou Delivery Hubs.

A experiência da pandemia de Covid-19 funcionou como um catalisador desse processo, acelerando uma tendência que já se desenhava e que se mantém mesmo após o fim das restrições sanitárias. A preocupação com acesso facilitado, organização, segurança e até refrigeração de alimentos indica um olhar mais atento às necessidades práticas dos moradores

Não é apenas uma questão de conveniência, mas significa acompanhar uma transformação duradoura nos hábitos da sociedade. Ignorar essa realidade pode significar projetos defasados já no momento da entrega. Incorporar soluções para delivery, por sua vez, aponta para um setor imobiliário mais atento às dinâmicas contemporâneas e às exigências de um cotidiano cada vez mais mediado pela tecnologia e pela logística.

Obrigado por ler a FOLHA

mockup