O drama nas páginas do jornal
Notícias como a que a Folha de Londrina publicou ontem, em primeira mão, da mãe que afirma ter matado seus cinco filhos recém-nascidos, provocam internamente na Redação do jornal preocupação redobrada nas etapas de pauta que define em que contexto e com que dimensão o assunto será tratado e também de edição do material jornalístico. Quando chega à Redação, por intermédio das fontes de informação dos profissionais da área, a notícia espanta.
A questão é como reportar ao leitor casos como este sem provocar prejulgamentos, sem causar sensacionalismo, sem ferir os envolvidos, sem transpor os limites da responsabilidade social. Por isso a cobertura é minuciosamente planejada, como ocorreu na edição de ontem e hoje da Folha no caderno Cidade. De um lado, o fato narrado precisamente longe dos adjetivos, das opiniões pessoais e das conclusões apressadas. De outro, o cuidado de expor o parecer de especialistas que nos auxiliam jornalistas e leitores a compreender um pouco melhor a natureza humana.
O jornal noticia, perplexo. Sem o propósito de causar sensação, culpar ou condenar. A preocupação é buscar respostas, encontrar explicações, e até partilhar o espanto. A notícia choca não poderia ser de outra forma mas também informa, esclarece, orienta e, principalmente, alerta. Neste sentido, e só neste sentido, se justifica.
Ruth Meira





