''Luz para Todos'' é o que a propaganda oficial anuncia, mas em Sapopema, pequeno município do norte paranaense, propriedades rurais estão distantes desse atendimento. Reportagem de ontem da Folha Rural mostra o drama do agricultor José Raimundo da Silva, cuja propriedade de 10 alqueires não tem energia elétrica, e parte do leite das suas 20 vacas se perde por falta de geladeira. Este é um pesadelo que o atormenta desde que adquiriu a propriedade, há três anos, porque não lhe dão solução para o caso, embora ele esteja inscrito naquele programa. É que a prioridade tem sido dada aos assentamentos dos sem-terra apurou um vizinho de Raimundo, ao buscar informações. O problema não é apenas desse produtor de leite, que tem no negócio a sua única fonte de renda. Alguns querem vender as propriedades, mas o valor da terra cai se não há energia elétrica. Num Estado onde existem conflitos pela posse de uma área de cultivo e os sem-terra invadem propriedades, e onde os governantes valorizam tanto o MST, falta assistência como esta a pequenos agricultores já estabelecidos. No caso de Raimundo, não é só o leite que se perde mas também a sanidade alimentar do gado, porque sem energia não há triturador da ração complementar. Mostra a reportagem que, em consequência, dez vacas já morreram. É um descalabro, quando tanto se propagandeia os programas da agricultura familiar e esse ''Luz para Todos'', da alçada do Governo Federal e caso da energia elétrica uma execução da Copel. O drama de José Raimundo e sua família não é apenas o da falta
de luz-e-força em sua propriedade e a angústia da espera, mas outras mazelas que mostram a dura realidade de um pequeno produtor rural, marcada pela pobreza, porque falta quase tudo e os problemas de saúde campeiam. O leite, que nos mercados custa de R$ 1,35 a R$ 1,50 para o consumidor, rende para Raimundo apenas R$ 0,36 o litro, e assim mesmo com recebimento em 60 dias e com cheques de terceiros, o que é um risco. Raimundo pensou em criar peixes, mas desistiu ao esbarrar no mesmo problema: a falta de energia elétrica. São situações que a burocracia governamental desconhece, ou ignora, e agora o Governo ainda quer cobrar impostos de renda desses pequenos produtores e reluta em conceder o aumento de 1% do Fundo de Participação dos Municípios reclamado pelos prefeitos. Grande parte dessas comunidades, no Brasil, tem baixo índice de desenvolvimento humano (o IDH), e Sapopema que é apenas mais um exemplo está entre elas.

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