O drama das guerras e conflitos
A apreensão vivida por moradores de Londrina com parentes em países em crise humanitária nos aproxima do sofrimento que atravessa fronteiras
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segunda-feira, 02 de março de 2026
A apreensão vivida por moradores de Londrina com parentes em países em crise humanitária nos aproxima do sofrimento que atravessa fronteiras
Folha de Londrina 
A guerra costuma ser medida em mapas, estatísticas e declarações oficiais. Mas ela é, antes de tudo, uma experiência humana. Quando o diretor-geral do campus da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) em Londrina, Alireza Mohebi Ashtiani, fala da apreensão com a mãe e os irmãos no Irã, o conflito deixa de ser abstração geopolítica e ganha rosto e voz. Exemplos assim nos aproximam do sofrimento real que atravessa fronteiras e atinge famílias comuns.
O mundo vive um período de grande instabilidade. O conflito envolvendo o Irã reacende temores no Oriente Médio; a guerra em Gaza prolonga uma tragédia humanitária; e os combates na Ucrânia já se arrastam por anos, com impactos globais na economia e na segurança internacional. Em cada um desses cenários, há disputas estratégicas e narrativas ideológicas, mas há também mães que esperam notícias, crianças que perdem a escola e cidades que deixam de existir como eram.
A instabilidade não é sentida apenas à distância. Em Londrina, muitos venezuelanos convivem diariamente com a angústia de ter familiares em um país que atravessa sucessivas crises políticas e econômicas. A Folha de Londrina mostrou recentemente o drama vivido por moradores do Flores do Campo, que acompanham à distância dias tensos na Venezuela. São trabalhadores integrados à comunidade local, mas emocionalmente divididos entre a rotina aqui e a incerteza lá.
Nesse contexto, assiste-se ao enfraquecimento de instituições multilaterais que nasceram para mediar conflitos e preservar a paz, como a Organização das Nações Unidas. A dificuldade de construir consensos e de impor limites às potências evidencia uma ordem internacional tensionada, em que normas e acordos parecem cada vez mais frágeis diante de interesses imediatos.
Forças beligerantes crescem em diferentes regiões do planeta, alimentadas por radicalismos, nacionalismos exacerbados e pela descrença na política tradicional. O discurso da força volta a seduzir parcelas da sociedade, enquanto o diálogo é tratado como sinal de fraqueza. Essa inversão de valores aprofunda divisões, enfraquece a democracia, e amplia o risco de novos confrontos.
Num ambiente internacional tão tensionado, o diálogo precisa voltar ao centro das decisões. A escalada permanente só amplia perdas humanas, deslocamentos e incertezas econômicas. Conflitos prolongados desestruturam sociedades inteiras e deixam marcas que atravessam gerações. Tratar a paz como prioridade concreta, e não como retórica, é uma responsabilidade coletiva diante de um cenário que já cobra um preço alto demais.


