Não há como negar ou esconder. É só sair às ruas e diariamente nos deparamos com o problema: meninos e meninas mendigando, se drogando ou se prostituindo. Antes de condenarmos a situação, criticar o Estado ou o município, cabe uma indagação: o que eu, como cidadão, estou fazendo a respeito?
A questão incomoda. Mas muitas vezes é mais fácil de lidar com ela dando uma esmola aqui e ali ou exigindo do poder público que tire as crianças das ruas, sem nem mesmo questionar para onde serão levadas, ou, principalmente, quem são essas crianças e porque foram parar nas ruas.
‘‘Foram para as ruas procurar a compreensão que dentro de casa havia sido substituída pela ‘porrada’ em detrimento do diálogo. Foram para as ruas buscar alguém que não gritasse, não ameaçasse, não condenasse, mas que, ao invés disso, estivesse disposto a conversar, entender suas inquietudes, angústias, dores, ímpetos infantis e medos’’. Esta resposta é de Rosalice S.E. Velho, uma das educadoras sociais da Prefeitura de Londrina, que trabalha nas Casas Abrigo da Cidade, dando assistência a crianças de rua.
Por trás da inquietude, da irreverência e da agressividade dessas crianças está um pedido de socorro. O poder público tem tentado responder a esse pedido, algumas vezes de forma errada, outras conseguindo pôr em funcionamento programas que conseguem devolver a essas crianças um objetivo para suas vidas.
O trabalho com crianças de rua é árduo e lento. Essas crianças não brotaram do nada ou simplesmente ‘‘apareceram’’. Trazem consigo toda uma bagagem de miséria, fome, rejeição e muitas vezes a exploração feita pelos próprios pais. A atuação da Assistência Social tem que ser profissional e criteriosa, sem deixar de lado o caminho, o amor, compreensão e amizade.
Mas isso ainda é pouco, porque o problema dos meninos de rua excedeu o campo da Assistência social. É hoje um problema de toda a sociedade.
Não adianta mais vir com o discurso de que ‘‘pago meus impostos e isso é um problema de governo’’. A solução pode estar num simples sorriso, num beijo, um abraço, num diálogo ou, como afirma Rosalice, num ato de estender a mão enquanto o mundo insiste em continuar a desiludi-los.
A sociedade tem que se mobilizar e procurar meios de agir, não para simplesmente tirar o menor da rua e afastar o problema dos olhos, mas encaminhá-lo. Há dois lados dessa história: o dos que violentam, gritam, ameaçam, condenam e dos que estão dispostos a conversar, agir e dar. De que lado você está?

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