Imagine morar em uma cidade que não conta com transporte intermunicipal regular para levar os seus moradores a outras localidades. Se você acha difícil acreditar nessa realidade, saiba que, infelizmente, ela é cada vez mais comum em muitos estados brasileiros e no Paraná não é diferente.

Municípios do Norte Pioneiro vivem o drama da falta de ônibus intermunicipal ou com corridas reduzidas há alguns anos e essa situação já foi denunciada por reportagens da Folha de Londrina, que volta a tratar do assunto nesta segunda-feira (24).

A justificativa das empresas de transporte ao reduzir os horários ou suspender o serviço é a inviabilidade financeira devido à queda no número de passageiros. Diante disso, rodoviárias estão cada vez mais vazias e moradores ficam sem opções viáveis para deslocamento.

Esse cenário afeta principalmente os municípios que não estão na rota dos principais corredores viários ou que não fazem parte do itinerário de viagens de ônibus entre centros maiores.

O impacto vai além do cotidiano dos cidadãos: a fragilidade do sistema intermunicipal preocupa também o setor de turismo, já que municípios com grande potencial, como Ribeirão Claro e Carlópolis, estão entre os mais afetados pela escassez de transporte coletivo.

A reportagem lembra um caso ocorrido em 2023, quando quatro linhas intermunicipais tiveram o serviço totalmente paralisado pela empresa então dona da concessão: Ribeirão do Pinhal – Bandeirantes, Jacarezinho – Cambará, Joaquim Távora – Ribeirão Claro e Jacarezinho – Ribeirão Claro.

À época o DER/PR (Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná) fez um chamamento público para que novas empresas assumissem os itinerários, porém não houve interessados e as linhas estão paradas até hoje.

A FOLHA conversou com uma professora que mora em Jacarezinho e leciona na vizinha Cambará. Sem transporte coletivo operando entre os municípios, ela precisa que o marido a leve e a busque diariamente, aumentando o gasto financeiro da família. 

O poder público precisa dar uma resposta urgente às pessoas que moram nesses municípios. O transporte intermunicipal não pode ser visto apenas como uma questão de rentabilidade empresarial, mas como um serviço essencial à população e ao desenvolvimento regional.

É preciso buscar alternativas, que pode ser por meio de incentivos às empresas que fazem o serviço ou até mesmo pensar em outros modelos de transporte que garantam o direito de ir e vir dos moradores do Norte Pioneiro. Isso não pode ser negligenciado.

Obrigado por ler a FOLHA!

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