O drama da mãe com o filho viciado
Espera-se que quando este Editorial estiver sendo lido pelo público alguma instituição já tenha socorrido o jovem viciado em crack que a mãe angustiada acorrentou para não vê-lo morto. O que entristece nesse episódio de Rolândia, além da situação do rapaz, é que a mãe teve que tomar essa atitude porque nenhuma instituição, naquela cidade, quis interná-lo. O filho, de família pobre, é viciado em crack, jurado de morte por bandidos e com tendências suicidas. Só falta agora que algum ''luminar'' resolva enquadrar a mãe por acorrentar o filho!
O fato tem vários aspectos dolorosos. Primeiro, que o bairro onde a família reside - denominado Iraque - é violento, por causa das disputas e tiroteios relacionados com o tráfico de drogas. Foi nesse ambiente que o menino enveredou para o consumo do crack e acabou envolvido com a bandidagem. Que agora quer aniquilá-lo, tanto que já o tentou. Para evitar que o filho saia à rua ou cometa suicídio (que ele quase cometeu e foi impedido pela mãe), ela apelou para o que lhe estava ao alcance: acorrentar o filho. Um fato inaceitável é que, mesmo diante da situação, instituições e autoridades daquele município não se sensibilizaram e deixaram o jovem e a família entregues à própria sorte.
Um terceiro aspecto é a tentativa de bandos criminosos terem procurado o rapaz em casa para matá-lo. Só não o fizeram porque não o encontraram, mostrando que nesse universo do consumo e tráfico de drogas resultam com frequência casos de extermínio, geralmente por pendências no acerto de contas. Porque muitos jovens são viciados e também atuam como ''formiguinhas'' na venda das drogas, a mando dos chefes - que a Polícia não captura. E se não há prestação de contas, o castigo pode ser a morte, certamente por ordem dos mesmos comandantes do tráfico.
De tanto lidar com esse drama do submundo, a Polícia tem um mapa da situação e sabe muito sobre as centrais de distribuição das drogas e seus principais agentes. Mas enquanto eles não são detidos, jovens continuam ingressando no vício e na comercialização e muitos acabam assassinados. O drama de Rolândia precisa servir de alerta às autoridades, não apenas para o caso isolado do acorrentamento (o desesperado recurso da mãe) mas para todos os citados, que não são novidade para ninguém. O quadro mostrado pela fotografia de ontem deste Jornal (que assim age no intento de que seja dada solução satisfatória para o problema) é chocante e reclama a atenção das autoridades para todos os seus entornos. Porque o que se está vendo não é uma causa mas consequência de um mal que tem ramificações extensas mas que é possível extirpar.





