A qualidade do relacionamento íntimo de um casal é influenciada pela sintonia do desejo. Às vezes, há um descompasso erótico: um não está a fim porque está cansado; o outro quer fazer sexo. A situação é difícil de administrar. Se acontece de vez em quando pode ser tolerada, mas quando ocorre com frequência tende a colocar o relacionamento em risco.
Quando o desencontro é raro, é fácil desculpar o companheiro. A ternura e a lembrança de momentos prazerosos podem substituir a necessidade sexual daquele momento. No entanto, o parceiro que está com mais vontade de fazer sexo pode ficar magoado ou ressentido com a negativa do outro. É exatamente nessa hora que os ânimos não podem ficar exaltados e que o bom senso deve imperar. Caso contrário, os sentimentos de rejeição, ciúme e intolerância aparecem.
Cada vez mais, as mulheres assumem vários papéis e múltiplas atribuições em uma sociedade ultracompetitiva. É mãe, profissional, dona de casa, amante, esposa. Não é à toa que, ocasionalmente, passam por períodos de baixo interesse sexual. Quando o desejo diminui de repente, há sempre uma razão. A pessoa que perde o emprego, por exemplo, tende a apresentar falta de vontade sexual de uma hora para outra. Nesse mesmo pacote emocional, misturam-se a ausência de autoconfiança, mágoas e frustrações devido à perda de vibração no relacionamento, que foi envolvido pela rotina e acomodação. Caso as discussões persistam, a qualidade do relacionamento afetivo se deteriora tão rapidamente que o entusiasmo e interesse sexual desaparecem completamente.
Para os casais que vivem uma situação como essa, o melhor a fazer é evitar o ato sexual quando a mulher estiver extenuada. Em vez disso, devem tentar permanecer o maior tempo possível na intimidade valorizando mais as carícias, procurando aumentar o contato afetivo, os beijos e os abraços, o que acaba naturalmente atiçando o desejo.
Não é comum, mas existem homens que gostam muito pouco de sexo. São homens normais, sem graves conflitos nem tampouco fantasias ou desejos ligados à homossexualidade. Apenas falta neles aquele impulso vital para buscar a companhia da mulher.
O que às vezes confunde as mulheres e funciona como elemento complicador é que esses homens são bons companheiros para programas como viagens, passeios de fim de semana, saídas para tomar lanche ou jantar fora. No entanto, quando se trata de intimidade, estão sempre fugindo ou evitando o contato.
Apesar dos problemas na vida a dois, dificilmente os homens procuram tratamento, mesmo quando o pedido da mulher é constante. Às vezes, devido à pressão e ao medo da separação passam a aceitar o terapia sexual, que em alguns casos pode melhorar o quadro de baixo desejo. Também é importante avaliar se apresentam níveis baixos de testosterona no sangue, o que é pouco comum.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta

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