É preciso sempre confiar nas potencialidades do Brasil e acreditar que o próximo presidente Lula realize o propósito que manifestou - logo após reeleito - de criar uma união nacional que promova o desenvolvimento. Se será ele e mais ninguém o mandatário supremo da nação, nos próximos quatro anos, a postura das forças atuantes da nação não deve ser outra senão a de auxiliá-lo nessa tarefa, desde que seja efetivamente levado adiante o projeto de governo para o segundo mandato. Se é verdade que males brasileiros vêm de longa data, sua gestão também não foi promissora para reverter essa situação, e muito esperava-se dele, porque assinalava não com um comportamento usual, no comando da mais alta função da República, mas como um revolucionário que promoveria grandes transformações. Não apenas os brasileiros mas todos os povos vizinhos esperavam por um impacto continental, a partir da liderança do Brasil, que beneficiasse todo o conjunto das nações sul-americanas. Mas tal não ocorreu, e este segundo mandato é uma nova oportunidade para que este e outros ideais comuns se concretizem, porque é inevitável que, para onde pender o Brasil, penderá toda a América Latina e com reflexos sobre todo o continente. O potencial deste país permite sonhos elevados, e Lula - quatro anos atrás - levantou esta bandeira e encheu de esperanças os patrícios de norte a sul, que o elegeram com expressiva votação. Agora, a reeleição não foi o voto de toda essa mesma gente, porque o que pesou foi a decisão dos muitos pobres beneficiados por benesses como a Bolsa-Família - necessárias em face de tanta pobreza - mas que não dignificam um povo e nem um governante. Melhor teria sido a melhoria de vida, para todos, por via de políticas públicas que houvessem promovido o crescimento econômico, porque a partir daí todas as boas coisas iriam acontecendo como natural consequência. Agora o discurso pós-eleição de Lula deveria mesmo ser - como foi - não o da campanha mas o do propósito real de mudar o rumo da trajetória trilhada até aqui e que não melhorou o Brasil em nada. A promessa é agora não do candidato mas do presidente reeleito, e isto muda o tom e a força do discurso, e reacende esperanças, embora ainda timidamente, pela desconfiança dos que agora não o sufragaram nas urnas. O passado se foi, e se isto pode ser tomado como exemplo para que fatos desagradáveis não se repitam, martelar nisso já não renderá dividendos para ninguém. Será preciso crer, mas não apenas em atitude contemplativa sobre Brasília, mas com efetiva participação de todas as lideranças nacionais e assim concretizar-se a união que o presidente manifestou desejar e levar adiante.

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