É garantia constitucional o direito à greve. Na maioria dos casos a paralisação das atividades laborais é um dos únicos meios de reivindicação dos trabalhadores, frente às perdas salariais e o excesso de trabalho. No entanto, há que se pesar os prejuízos causados à população com a suspensão dos serviços.
Nesse momento, os funcionários dos Correios estão de braços cruzados. Foi a alternativa encontrada para reivindicar aumento salarial linear de R$ 400 a partir de janeiro, reposição da inflação de 7,16% e mais 24,76% referentes a perdas desde 1994. Já a direção da estatal ofereceu como contraproposta um abono imediato de R$ 800, além de reajuste salarial de 6,87% (a inflação de 12 meses até julho, o mês-base para o cálculo) e mais um acréscimo linear de R$ 50 por mês a partir de janeiro. O vale-refeição passaria de R$ 23 para R$ 25. Os trabalhadores recusaram e iniciaram a greve.
Agora, chegou-se a um impasse. A direção dos Correios anunciou que retiraria a proposta de reajuste salarial e voltaria a negociar com os grevistas somente após o retorno ao trabalho. A decisão, segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect),
joga ''mais gasolina'' ao movimento grevista.
Independentemente das causas, o fato é que uma greve causa inúmeros transtornos à população, que nada tem a ver com a questão, mas que, sem dúvida, acaba sendo prejudicada. No caso dos serviços considerados essenciais - como a saúde - o movimento grevista é obrigado a manter um percentual mínimo de funcionários no trabalho. No entanto, este não é o caso dos Correios. Matérias publicadas ontem na imprensa informavam que as entregas já haviam sido comprometidas. Segundo estimativas da Fentect, cerca de 70% dos cerca de 45 mil carteiros paralisaram suas atividades.
Os números indicam que os transtornos já estão ocorrendo. É de se esperar que diretoria e trabalhadores cheguem a um acordo urgentemente para não prejudicar ainda mais os usuários dos Correios.

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