Para reequilibrar o seu orçamento financeiro, já prevendo um viés de baixa nas receitas, o Executivo municipal de Londrina está propondo um ajuste fiscal que implicará em redução de investimentos públicos e sério comprometimento do custeio administrativo. A estimativa é que os valores para o orçamento de 2027 serão praticamente os mesmos deste ano, pois a correção prevista será ínfima, na ordem de 0,48%.

Nesse contexto, as diretrizes orçamentárias foram discutidas e aprovadas pela Câmara Municipal. O resultado dessa análise decisória foi o contingenciamento de verbas orçadas das pastas que atendem justamente as áreas mais sensíveis da população, tais como socioassistenciais e do meio ambiente. Numa contradição explícita a essa situação de pouquidade financeira, destaca-se os milhões de reais que têm sido gastos com os exageros em decorações festivas numa escolha política incoerente com as prioridades da população.

Como um dos exemplos desse contrassenso, os valores exorbitantes dispendidos para colocar a cidade nas páginas do Guinness Book, em dezembro passado, como sede do "maior Papai Noel do mundo" foi puro desperdício; criou-se uma peça burlesca, caricata e de efeito visual controverso. Para completar o constrangimento de muitos londrinenses, a "obra" foi motivo de chacota no programa Pânico na TV, em nível nacional.

Do outro lado da praça, a nossa Câmara de Vereadores, com um orçamento superdimensionado, nunca sofre contingenciamentos por pertencer a um poder avesso à parcimônia. No Legislativo, em todos os seus níveis, "cortar na própria carne" é utopia, é impensável e constitui-se numa propositura veladamente censurada. Nessa linha de conduta, a nossa casa de leis não foge à regra; a implantação de um canal de TV próprio está sendo gestado ao custo de R$ 4,68 milhões. Uma extravagância!

Em se tratando de Londrina, onde a imprensa possui veículos de comunicação bastante dedicados ao noticiário local, todas as benfeitorias aprovadas em prol da população terão foco e ampla publicidade. Com certeza, os edis que propuserem a apresentar projetos qualificados, e que atendam aos anseios da população, conquistarão ecos positivos e o reconhecimento da sociedade londrinense.

Portanto, ao invés de gastar milhões de reais em supérfluos, como é o caso de uma caríssima estrutura de mídia própria desnecessária, a nossa Câmara de Vereadores pode abrir mão desse dinheiro, e de valores maiores também, porque já é praxe de que a verba orçamentária destinada à nossa casa legislativa é absurdamente superdimensionada. Convenhamos, R$ 5,25 milhões mensais para atender 19 vereadores é difícil de aceitar, enquanto o município discute cortes severos nos repasses para a assistência social da cidade. Isso é extremamente ilógico e é uma afronta à dignidade das pessoas mais carentes do município.

Muito embora a Prefeitura de Londrina tenha a obrigação constitucional de repassar essa verba para o nosso legislativo, há sim a possibilidade de uma redução do montante estipulado. Para isso, basta a Mesa Diretora da Câmara adotar uma postura de austeridade e um gesto exemplar de espírito público para corrigir esse despautério. Seria uma atitude louvável e muito mais sensata!

Ludinei Picelli, administrador de empresas

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