O difícil primeiro emprego
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sábado, 05 de julho de 2003
Andréa Bordinhão<br>Reportagem Local 
O cenário econômico recessivo que o país vive hoje não é nada animador para quem está na luta por uma vaga no mercado de trabalho. A taxa de desemprego no Brasil, segundo dados do IBGE, é de 12,8%. A população de até 24 anos é a mais atingida, representando 20% dos desempregados brasileiros. Com base nestes dados nada positivos, o governo federal lançou essa semana o Programa Primeiro Emprego. O intuito é dar oportunidade para que esses jovens consigam se inserir no mercado. Por meio de incentivos financeiros, o governo pretende motivar empresas a darem o primeiro emprego a jovens de 16 a 24 anos que ainda estão em formação. Apesar de ser uma iniciativa importante, cabe um questionamento: antes de o governo adotar políticas econômicas complementares, não é preciso adotar medidas que alavanquem a economia do país?
O índice de desemprego no Brasil se torna ainda mais alarmente: beira os 15%, se somadas as pessoas que estão fazendo bicos ou estão trabalhando, porém em busca de um novo emprego. O economista do Dieese, Cid Cordeiro, reafirma que a parte jovem da população realmente está mais carente de empregos. No Paraná, por exemplo, o número nacional de 20% pula para 24% de jovens desempregados. Contudo, ele ressalta que primeiro é preciso estabelecer uma política de emprego para todos e isso só se consegue com crescimento econômico. ''Para alavancar a economia é preciso dar continuidade na queda da inflação e dos juros. Assim haverá mais oportunidades no mercado para pessoas de todas as idades'', afirma.
Para que haja geração de emprego, é preciso haver circulação de dinheiro. Com o consumo em baixa, não há porque promover contratações e essa situação continuará atacando a todos, não só aos jovens.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), diz que esse programa do governo merece todo apoio, pois é uma iniciativa necessária. Mas ele também vê como necessário um plano de mudança econômica amplo. ''Se a economia não mudar seu rumo, e começar a crescer cada vez mais, empresas vão quebrar e colocar mais gente na fila dos desempregados'', afirma.
Um dos principais fatores que segrega os jovens do mercado de trabalho é a inexperiência. Quando há vagas, a falta de experiência comprovada na carteira de trabalho os exclui. Essa é a reclamação da desempregada Luciana Erão de Souza, 24 anos. Há dois anos ele busca por uma oportunidade e, apesar de ter concluído o ensino médio, já recebeu muitas respostas negativas por falta de experiência. ''Os empregadores não dão chance. Assim, não é possível nem aprender. Só que, por algum lugar, temos que começar'', argumenta.
O sociólogo do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Paulo Delgado, diz que a única forma de superar a falta de experiência é com formação. Quanto maior o nível de escolaridade, mais chances a pessoa tem. ''O mercado hoje não tem como absorver todo mundo que precisa de emprego. Porém, existem algumas áreas que têm demandas de profissionais, mas não encontram ninguém preparado'', afirma.


