O difícil controle do conteúdo da internet
O homem iniciou a corrida espacial, colocou satélites no espaço e estabeleceu uma interligação momentânea entre as pessoas de todos os cantos do mundo. Foi graças a essa incursão pelo espaço aparentemente inatingível que se implantou a televisão transnacional, a telefonia veloz de longa distância, o telefone celular e a internet. Com esta vieram a bordo múltiplos inventos de comunicação e a troca de imagens, fixas e em movimento.
No bojo desse desenvolvimento tecnológico apareceram as coisas boas e também as ruins. Tudo o que de pior se imagina veio junto, difundindo imoralidades, ensinamentos de práticas ilícitas e muita coisa de gosto duvidoso. Porque tudo emana de pessoas, e elas, em sua multiplicidade de níveis culturais e morais, entram nesses canais e se manifestam, agora com mais desenvoltura, porque invisíveis e desfrutando de muita permissividade legal e valendo-se também da ausência de controle eficaz.
Não tardaria que chegassem as reações contrárias e a dificuldade de controlar sobretudo os jovens, que acorreram à internet com uma saciedade incrível. Não se conhece nada na história da humanidade que atraiu tanto a juventude (principalmente) como a magia da tela do computador. Porque há a possibilidade de interagir, e isto naturalmente fascina e dá uma sensação de amplitude do poder pessoal e da expansão da sua presença nos mais longínquos lugares do mundo. E já está escrito pelos futurólogos que a comunicação via internet poderá permitir intercomunicação com outros pontos do universo. Por ora ficção, mas isto também se diria se, não muitos anos atrás, alguém acenasse com o que existe hoje no revolucionário campo das telecomunicações. A humanidade buscou esses progressos, e agora que eles chegaram tem dificuldade de impor censura naquilo que julga inconveniente. Nem leis suficientemente adequadas existem para tratar dos denominados delitos das infovias.
Ontem, em artigo neste Jornal, uma educadora de Curitiba alertou que o Orkut (o relacionamento de pessoas em rede) ''não é lugar de criança''. Controlar isso é tarefa inglória, embora necessária. Proibir crianças e adolescentes de terem esse acesso parece impossível, então o caminho é encontrar uma forma de controlar a difusão do conteúdo na origem. A tecnologia do futuro deverá ser a de corrigir os erros do abrupto salto nesse campo. E sem garantia de sucesso, porque se for criado o controle, não tardará que surja o anticontrole, e assim sucessivamente, sem saber-se até onde isso chegará.





