O difícil combate à corrupção
O melhor caminho para eliminar a corrupção no País - que não diminiu - é longo e passa pela elevação do nível de consciência dos que se lançam na vida pública. Esse atributo deve ser algo inerente à pessoa, sendo impossível criá-lo por decreto. Aqueles já acometidos do virus da corrupção sempre encontrarão fórmulas de driblar as leis e a vigilância, até porque as brechas são amplas e tentadoras. Fascina o elevado montante de dinheiro que desfila e passa pela mão do administrador público, e as facilidades são enormes para praticar desvios, porque há muita conivência e cumplicidade no próprio meio. É mais difícil cumprir a lei com rigor e ser honesto do que deixar-se enredar pela via fácil da corrupção. Porque o servidor público entenda-se aí todo aquele que exerce função oficial e que já é propenso à apropriação do alheio, sempre encontrará um meio de locupletar-se. É ademais favorecido pela corrupção de mão dupla, representada pelas sedutoras propostas que emanam de redutos externos. A modalidade mais simplória é a do roubo direto, através de manipulações contábeis no que sempre existe a outra parte conivente e a corrupção passiva, que é a aceitação de valores, alguns astronômicos, para favorecimentos a terceiros. Essa corrupção já começa na campanha eleitoral, porque aqueles que ajudam financeiramente um candidato sempre esperam uma contra-partida, ou esta já está estabelecida e definida previamente. A recompensa manifesta-se quase sempre sem deixar marcas. Pode ser a alteração de uma lei ou outra medida de favorecimento, que o bolso do povo sempre acabará pagando. O círculo dos rapineiros vorazes forma-se rapidamente ao redor de um chefe de Executivo, e ele honesto que às vezes seja acaba sendo levado de roldão se for frágil, e ser for da mesma linhagem então será como navegar rio a baixo. O superfaturamento de uma obra pública encontra amplos meios de ser perpetrado e é de difícil controle. Blocos econômicos disponibilizam elevadas somas a serviço da corrupção de parlamentares, governantes e juízes, quando lhes é de interesse. Nada 'sensibiliza' mais um instrumentador de leis, de normas e de 'jeitinhos' do que dinheiro vivo, aquele que não entra via cheque ou depósito bancário e corrupto e corruptor jamais cometem essa negligência mas aconchegado na 'mala preta', como convencionou-se denominar essa corrompida transfusão de moeda. As prestações de contas, obviamente, não contabilizam essas coisas, por isso que tudo se afigura transparente. A conclamação da sociedade a que sejam colocados na cadeia todos os corruptos é justa, mas prende-los todos seria um grande dispêndio... O caminho é a luta contínua, de protesto individual mas sobretudo de protesto em grupo. Não há poder maior que o do povo, porque representa o peso de 95% da população, portanto mais poderoso que o peso dos governantes corruptos e dos cidadãos corrompedores, embora altamente corrosivos. Esse enorme contingente o povo nunca soube utilizar-se do poder que tem, porque falta-lhe sentido de organização. A outra fórmula, mais demorada porém de mais durabilidade, é a da conscientização e do despertar de responsabilidades. Há nações onde isso já ocorre, então é possível!





