A difícil tarefa de explicar o comportamento dos mercados financeiros de todo o mundo, nesta segunda-feira (9), coube a analistas econômicos, que se revezaram, o dia todo, em entrevistas aos veículos de comunicação.

Os especialistas lembraram que os mercados financeiros normalmente são conduzidos por medo ou ambição. Mas em algumas situações pelo pânico desenfreado, como aconteceu nesta segunda-feira, logo depois que os mercados da Ásia abriram.

Nesse dia de pânico, o dólar disparou, apesar da intervenção do Banco Central brasileiro. O risco-país bateu recorde e, em São Paulo, a Bolsa abriu em forte queda, atingindo rapidamente uma retração de 10%.

O índice funcionou como um botão vermelho para que a Bolsa acionasse o chamado circuit breaker, quando o pregão foi suspenso, inicialmente, por meia hora. É o primeiro circuit breaker desde o episódio conhecido como Joesley Day, em maio de 2017 - a sexta vez na sua história que o circuit breaker acontece por aqui. Funciona como uma válvula de segurança. Um tempo para os investidores retomarem a calma e colocarem as ideias no lugar.

Só que no decorrer da tarde, o índice caiu mais ainda: 12,2%, a 86.067 pontos, o menor patamar desde dezembro de 2018. Para “ajudar”, as ações da Petrobras caíram cerca de 30%.

É mais um impacto da disseminação do coronavírus. Não resta mais dúvida de que é inevitável a desaceleração da economia global, situação agravada ainda mais com a guerra do preço do petróleo iniciada por Rússia e Arábia Saudita e pela decisão da Itália de colocar 16 milhões de pessoas em quarentena.

São justamente as quarentenas e a consequente paralisação de uma grande parcela da economia mundial que causam o pânico e danos significativos ao mercado financeiro.

No Brasil, a expectativa agora é pelas medidas que serão tomadas pelo governo do presidente Bolsonaro para amenizar as consequências desse dia de pânico e para evitar que os efeitos do coronavírus na economia não se agravem ainda mais.

O problema é que ninguém arrisca uma previsão de estabilidade. O coronavírus promete mais uma montanha russa de emoções, como o mundo já viu em 2003, quando surgiu a Síndrome Respiratória Aguda Grave, que ficou conhecida como Sars.

Se 2003 serviu de lição foi para mostrar que é há uma saída, sim, mas que envolve a complexidade de lidar com o mau humor do mercado financeiro por não saber quando as pessoas voltarão à vida normal, viajando, trabalhando e consumindo.

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