O Dia do Administrador
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Ricardo Prochet 
Não posso dei xar que se passe mais um 9 de se tembro obscure cido pelas come morações com o feriado nacional do dia da Inde pendência do Brasil. Na data em questão comemora-se o ''Dia Nacional do Administrador'' por ser a data de assinatura da Lei nº 4.769, que regulamentou a profissão em 1965.
Ao administrador compete conduzir um grupo de pessoas na realização de tarefas que contribuam para o alcance do objetivo da organização, independente do nível hierárquico em que esteja situado, do tipo de formação profissional ou do tipo de organização em que esteja atuando, empresarial ou não empresarial.
A tarefa de administrar é incerta e desafiadora, pois lida com mudanças, inovações e transformações rápidas e situações ambíguas, além de problemas cada vez mais diferentes e complexos. Eventos externos e internos às organizações fornecem informações contraditórias que dificultam o diagnóstico para a solução de problemas, tais como exigências diferentes da sociedade, dos clientes e dos fornecedores, desafios dos concorrentes e expectativas da alta administração e dos acionistas.
Cada vez esta mais difícil administrar os negócios devido às inúmeras pressões do mundo moderno tais como a internacionalização dos negócios e as comunicações mais rápidas. A globalização é um processo irreversível que leva as empresas a mudanças estruturais e culturais.
À medida que aumenta a competição em nível internacional, as organizações devem recorrer aos trabalhadores mais talentosos, independentemente de diferenças raciais, culturais ou sexuais. A convivência multicultural enriquece o funcionamento organizacional, em razão da diversidade de valores, experiências, idéias e ideais que provoca.
Alguns dos primeiros textos sobre a administração datam do início da Revolução industrial, no século 18, na Inglaterra, depois se alastrando para toda a Europa e América no século 19. Esses primeiros teóricos foram perspicazes o suficiente para afirmar que a emergência do mundo industrial iria requerer um estudo sistemático da administração de tarefas e da padronização do trabalho para ajustar as empresas, especialmente a área de manufaturas, a uma nova e exigente realidade.
As escolas de Administração espalhadas pelo País, de forma geral, ainda ensinam aos seus alunos somente os preceitos antigos de que o administrador deve limitar suas funções em planejar, organizar, dirigir e controlar os processos inerentes aos negócios e as pessoas a eles ligados. No entanto, o mundo moderno obriga a esse profissional estar preparado para ir além dessas expectativas, como por exemplo, ter um profundo interesse e cuidado com as questões ambientais, posto que os recursos do planeta são finitos e estão constantemente ameaçados.
As questões éticas das empresas devem ser mais bem abordadas pelas escolas de administração, como forma de estarem os futuros profissionais conscientes de que a avaliação da responsabilidade social de uma organização envolve seu relacionamento com o mundo externo; ética é um termo mais genérico, que envolve tanto relacionamentos internos quanto externos, e que pode ser definida como o estudo do modo pelo qual nossas decisões afetam a sociedade como um todo.
A profissão do administrador, dentro dos conceitos aqui apresentados, vai muito além da crença de que o mesmo se presta somente aos negócios, multiplicando capitais através de sua atuação direta. Estendem-se os estudos desses homens a todas as atividades da vida, seja no lar, na política e em todas as ramificações existentes nos padrões sociais. Portanto, parabéns a todos os brasileiros, que sobrevivem administrando suas existências num país que ainda deixa muito a desejar em termos de saúde, educação e segurança, mas que ainda assim o amamos e nele acreditamos.
- RICARDO PROCHET é administrador de Empresas, professor universitário e consultor em Londrina
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