Nessa questão que ora envolve o Hospital Universitário de Londrina não está em julgamento a qualidade da instituição e sim o desvirtuamento do cartão-ponto, e, por extensão, a manifestação corporativista gerada. Bater ponto para terceiros ausentes é fraude, e não foi a existência do instrumento de controle que o gerou e sim a predisposição para o comportamento nada exemplar dos médicos envolvidos. Isto não macula o hospital, mais conhecido como HU e que compõe o curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina. Também não denigre a classe médica e nem os demais atendentes do estabelecimento.
As câmeras e o relógio-ponto não estão ali para controlar médicos e ninguém em especial, mas todo o corpo funcional. Não existe o sentido policialesco e nem constrangedor - como alguns segmentos qualificaram o sistema - porque este é um mecanismo que as empresas adotam. Se críticas ao Governo, como as agora feitas, são cabíveis por descaso no suprimento de mais leitos e outras necessidades, o foco do problema deve ser a irregularidade no registro do ponto, envolvendo justamente figuras relevantes como os médicos flagrados.
A maior parte do que se tem falado, na seção de opinião dos leitores desta página e em artigos assinados, enfocou mais a exaltação dos profissionais do HU - o que ninguém está negando - mas esta é uma forma de desvir a atenção para algo condenável que aconteceu: a prática de validar comparecimentos não existentes. Ficam aí implicados quem os solicita e quem atende. Tem-se combatido isto quando parlamentares votam pelo companheiro ausente, valendo-se do botão que está à mesa dos assentos no plenário. Isto não pode ser aceito, como não se aceita nenhum comportamento fraudulento.
Declarar - como afirmou um ex-diretor do HU - que não concorda que ''fatos isolados sejam entendidos como atuação generalizada de todos os médicos'' é uma desnecessidade, porque ninguém fez tal acusação. Também não tem fundamento dizer que o episódio ''compromete décadas de trabalho sério do hospital'', porque uma coisa nada tem a ver com a outra. Artigo de outro médico, publicada em razão desse affaire, exalta a medicina e a odontologia de Londrina, mas essa qualidade de serviços não está sendo posta em dúvida.
Se o cartão-ponto - conforme ainda opiniões publicadas - é ''uma estrutura arcaica de administração'', trata-se de uma questão a discutir, mas mesmo sendo eventualmente verdadeira essa assertiva, não invalida a fraude. Com ou sem relógio-ponto, quem está propenso a cometer uma irregularidade a comete também por outros sistemas. Não é uma denúncia que se apura, porque o fato está consumado, conforme a câmera registrou. Portanto, nada há mais a discutir. O enfoque deve ser dado para o desvirtuamento do cartão-ponto, resultando num ato irregular. É nisto em que, com toda a certeza, está centrada a opinião pública.

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