O destino dos resíduos plásticos em Londrina e seus impactos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de novembro de 2022
.Caio Victor Lourenço Rodrigues , Luciano Panagio e Lilian Aligleri 
Sabe aquele copo plástico descartável, ou aquela embalagem de uma guloseima jogada “por aí”, fora do descarte correto? Quando é só você fazendo isso, vez ou outra, parece não ser tão grave. Mas, imagine bilhões de pessoas fazendo isso todos os dias. Torna-se um problema imenso!
A era do plástico iniciou-se em 1907, quando o químico Leo Hendrik Baekeland criou a primeira resina sintética: a baquelita. Desde então, o plástico está onipresente em nossas vidas, trazendo comodidade a um baixo custo e melhorando a vida das pessoas.
A produção brasileira de plásticos gira em torno de 7 milhões de toneladas, gerando muitos empregos e um faturamento de cerca de R$ 90 bilhões. Há, porém, questões importantes a serem resolvidas: a logística reversa e a destinação adequada dos resíduos plásticos. Embora a cultura da reciclagem seja cada vez maior, a ausência de coleta seletiva em muitos municípios, a dificuldade de reciclar alguns tipos de plásticos e o mau hábito de jogar lixo em locais inapropriados resulta em importantes problemas ambientais.
A decomposição de alguns tipos de plásticos pode levar centenas de anos para se completar. Enquanto isso, quando presentes no ambiente, liberam substâncias prejudiciais à saúde, que podem ser inaladas ou ingeridas junto com a água e alimentos.
Mas os problemas não estão relacionados apenas ao meio ambiente e à saúde humana, os plásticos não reciclados também afetam, e muito, o orçamento do município e consequentemente o teu bolso.
Segundo o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de Londrina (2021), a média de resíduos coletados por dia na cidade (de 2ª a sábado) em 2018 foi de 412 toneladas, sendo que 19% eram formados por plásticos. Ou seja, foram diariamente destinados inadequadamente para o aterro, aproximadamente, 77 toneladas/dia de plástico em nosso munícipio. É muita coisa, não?
Todo esse material gera um grande custo ao munícipio e é possível estimar este valor. O contrato de coleta e transporte de resíduos domiciliares de orgânicos e rejeitos vigente paga R$ 172,01 por tonelada recolhida (agosto/2022). Isso significa que se não há a separação do plástico para a coleta seletiva, gasta-se diariamente R$ 13,5 mil por dia ou R$ 340 mil por mês com o transporte de todo esse material até o aterro sanitário. Mas, pare para pensar, dessas 77 toneladas de plásticos, quanto poderia ser recuperada pela coleta seletiva?
Enquanto você pensa nisso, lamento informar, mas há ainda mais custos envolvidos. Outro contrato da CMTU indica que para operar e manter o aterro do município são gastos aproximadamente R$ 317 mil por mês (agosto/2022). Além disso, quanto mais material chega por lá, menor será a vida útil das valas e do próprio local. A última vala custou ao munícipio aproximadamente R$ 2,5 milhões, sendo o pagamento finalizado em outubro de 2021. Desde que o aterro começou a operar em novembro de 2010, esta é a 6ª vala já construída.
Essa conta está ficando cada vez maior e, sinto informar que, é você quem ajudar a pagá-la, na taxa do lixo que vem junto com o seu IPTU. Portanto, não basta apenas cobrarmos do poder público uma melhor eficiência na gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos, já que o consumo consciente e a segregação adequada dos resíduos gerados também são responsabilidade diretas de cada munícipe.
Algumas linhas acima perguntamos qual a quantidade de plástico recuperada na cidade, este valor é de 1.693 ton./ano (2021), o que equivale a somente 6,6% do resíduo plástico gerado no município. É muito pouco e são vários os fatores relacionados. Nem todo plástico é reciclado, pois não há uma cadeia de comercialização e, muitas vezes estão sujos, inviabilizando a triagem para a reciclagem e, consequentemente, a renda dos trabalhadores das cooperativas de catadores. A disposição inadequada, além de não potencializar uma economia circular, também pode resultar em entupimento de bueiros, disposição em fundos de vale e uso do espaço do aterro sanitário, gerando um passivo financeiro e ambiental significativo para toda a sociedade.
Prof. Dr. Caio Victor Lourenço Rodrigues – Departamento de Construção Civil; Prof. Dr. Luciano Panagio – Departamento de Microbiologia e Profa. Dra. Lilian Aligleri – Departamento de Administração. Docentes membros do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Resíduos da Universidade Estadual de Londrina (NINTER.UEL).
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