O destino da Lava Jato
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terça-feira, 11 de junho de 2019
Folha de Londrina 
A divulgação de diálogos atribuídos ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e ao procurador do Ministério Público Federal Deltan Dallagnol, por meio do site The Intercept Brasil, caiu como uma bomba no noticiário político brasileiro desde a noite do último domingo (9). Se repercutiu fortemente na imprensa nacional, não passou despercebido por veículos internacionais, figurando, entre outros, no El País (Espanha), Le Monde (França), Le Temps (Suíça), Clarín (Argentina), Al Jazeera (Catar) e no site especializado em mercado financeiro Bloomberg (Estados Unidos).
As conversas, vazadas para o Intercept por uma fonte sigilosa, mostrariam que Sergio Moro, então juiz de primeiro grau da Lava Jato em Curitiba, teria orientado investigações à força-tarefa por meio de mensagens trocadas em um aplicativo. As mensagens trazem trechos de conversas escritas e gravadas com Moro, segundo o Intercept, sugerindo mudança da ordem de fases da maior investigação de corrupção do País, dando conselhos e pistas. A reportagem também trouxe mensagens que teriam sido trocadas por procuradores do MPF que fazem parte da Lava Jato.
A análise do material exposto pelo site é bastante complexa. A troca de informações entre integrantes da Lava Jato não é crime. O problema é quando o juiz, segundo o Intercept, orienta partes envolvidas nos processos pelos quais ele é responsável. Assim como quando os procuradores tentam contornar uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que permitia uma entrevista jornalística com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba.
Os críticos da Lava Jato dizem que o ex-juiz descumpriu o princípio da imparcialidade. Os defensores de Moro argumentam que o conteúdo das mensagens foi conseguido de forma ilegal e que o objetivo maior da Lava Jato foi conseguido: acabar com o maior esquema de corrupção já conhecido no Brasil.
O Conselho Nacional do Ministério Público anunciou que vai investigar as conversas entre Dallagnol e Moro e a Câmara cogita abrir uma CPI para apurar o caso. Uma resposta realmente precisa ser dada. Mas o caso não pode impactar negativamente no andamento das reformas estruturais que tramitam no Congresso. Além disso, não se pode desconsiderar a importância de todo o trabalho que a Lava Jato realizou no combate à corrupção. É uma operação investigativa e judicial ampla que conseguiu seus melhores resultados colocando criminosos do colarinho branco atrás das grades, recuperando parte do dinheiro desviado dos cofres públicos e baixando significativamente a tolerância do brasileiro para atos de corrupção.


