O desempenho industrial do Paraná - Eduardo Francisco Sciarra
O desempenho industrial do Paraná
Eduardo Francisco Sciarra
A produção industrial do Paraná voltou a ser destaque entre os Estados brasileiros no mês de junho, tendo assumido a primeira posição, com crescimento de 6,2%. Nossas vendas industriais também cresceram naquele mês, e passaram dos 8%. Os resultados são altamente satisfatórios, principalmente se considerarmos que o Brasil atravessa um momento recessivo, fato apontado pelo desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que acumula queda de 0,42% no primeiro semestre de 1999, em comparação com o mesmo período do ano passado.
O crescimento industrial ora verificado está apenas no início. O Paraná será beneficiado a médio prazo por dois movimentos interligados. De um lado, surgem os impactos do novo ciclo econômico planejado e plantado nos últimos quatro anos. Não devemos nos esquecer que os investimentos industriais privados anunciados na gestão do governador Jaime Lerner já superam a casa de US$ 17 bilhões, e que respondem ou irão responder pela geração de 120 mil empregos diretos.
De outro lado, ainda na esteira da atualização cambial, o encarecimento das compras externas e a própria diminuição da concorrência dos importados, renovam as oportunidades para viabilização da substituição de importações, principalmente nos ramos têxtil, triticultura, minerais não metálicos, alimentos, metalurgia e peças e componentes, estes últimos ligados à perspectiva de aceleração dos programas de nacionalização das cadeias de suprimento para a fabricação de veículos.
Levando-se em conta que São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná respondem por, respectivamente, 35%, 7% e 6,4% do PIB nacional, é fácil perceber que o Paraná está investindo proporcionalmente mais e em ramos com maior capacidade de agregação de valor. Por isso, deve se transformar na quarta economia do País entre 2001 e 2002. Hoje ocupamos a quinta posição.
O amadurecimento de investimentos industriais multiplica os efeitos positivos do aquecimento produtivo por todos os demais setores da economia. Assim, a indústria também pode ser considerada a mola propulsora das vendas do comércio, da ocupação dos prestadores de serviços, da circulação mais intensa de mercadorias e riquezas.
Só isso já seria motivo de justa comemoração. Entretanto, o efeito socialmente mais importante é a geração de novos postos de trabalho e o fortalecimento de empregos já existentes. A era do conhecimento, tão apregoada nesta virada de milênio, só será possível com uma economia forte, solidamente estabelecida na garantia de produção e mercado consumidor.
Com a indústria produzindo e vendendo mais, as empresas se fortalecem, aumentam os postos de serviço e o Estado ganha à medida em que cresce a arrecadação de impostos.
- EDUARDO FRANCISCO SCIARRA é secretário da Indústria, Comércio e do Desenvolvimento Econômico do Paraná





