O descobrimento do Brasil
Há exatos 502 anos, nosso País era oficialmente descoberto por Pedro Álvares Cabral. Segundo os documentos históricos, os portugueses ficaram atordoados com a nova terra. O sucesso da empreitada transformou-se rapidamente em notícia.
O Brasil, pela primeira vez, virava manchete de jornal em Portugal. Os patrícios se vangloriavam pelo feito e já apostavam nos lucros de olho no ouro a ser encontrado. Houve muita festa, com direito a discursos e aplausos para os imperadores.
Hoje, depois de tanto tempo, não há mais ouro a ser retirado, nem índios a serem mortos e muito menos terras a serem tomadas de nós. A independência e o progresso possibilitaram uma descoberta mútua entre os dois países.
Além da língua, de alguns descendentes, e de outros comportamentos, temos em comum outras notícias. Sofremos com o desemprego, com a desigualdade social e principalmente com a violência. Os lusitanos bem se lembram do cruel assassinato de seis empresários portugueses em Fortaleza, no Ceará, no final do ano passado, que acabou virando manchete de jornal por lá. No Brasil, a última descoberta fala sobre o brasileiros que tentam uma luz ao sol, em trabalhos não muito dignos, no país irmão.
A frieza das notícias e da realidade social dos dois países resultou em um fato curioso. Poucos brasileiros e muito menos portugueses se lembram do dia 22 de abril de 1500. O fato histórico, que um dia virou manchete, hoje passou a ser menos importante que o dia das mães ou das crianças. Não há festas, solenidades ou comemorações. Não é à toa, de que tal notícia, seja lembrada apenas neste pequeno espaço.
Mauricio Della Barba





