Pelo volume de dinheiro que os governos arrecadam, não deveria haver problemas de saúde na população pobre deste Brasil, mas não é o que acontece e o noticiário é abundante em casos de mau atendimento ou de falta dele, levando pacientes a prolongar o sofrimento e até à morte. Ontem, um dos destaques deste Jornal foi a denúncia de que o Hospital Universitário de Londrina (uma extensão do curso de Medicina da Universidade Estadual local) não atende desde maio a cirurgias do ouvido. E são 39 pacientes aguardando. Há o caso de um jovem que espera por dois anos e cuja família pobre precisa gastar todo mês R$ 150 com antibióticos, além do fato de ele sofrer muito.
  A informação é que um equipamento utilizado em cirurgia desse tipo quebrou e foi roubado no caminho do conserto, mas o novo aparelho adquirido só foi usado cinco vezes desde outubro. Os pacientes citados são apenas os que esperam por cirurgia, porque existem 160 com problemas de ouvido aguardando triagem no Hospital das Clínicas (igualmente pertencente à Universidade). A Secretaria Municipal de Saúde informa que há mais de nove meses não envia ao HU pessoas com problema de ouvido, porque de nada adianta faze-lo se eles não são atendidos. Ocorre que esses pacientes não têm condições financeiras para pagar cirurgião particular.
  A assessoria de imprensa do HU diz que chegou o equipamento novo mas faltam anestesistas para atuar nas cirurgias, porque – segundo informa – candidatos não aparecem na abertura de concursos e os terceirizados cobram muito caro. Por conta disso, os pacientes que esperem, porque o Estado rico e gastador ‘‘não pode pagar’’ profissionais que cobrem muito. Isto caracteriza negligência e mais que isso, irresponsabilidade. Por causa disso, e com tantos doentes esperando, só foram atendidos cinco em igual número de meses. A quem os pacientes devem recorrer, só Deus sabe, porque se desde maio não há atendimento, isto deverá continuar se algum poder maior não tomar a dianteira do caso.
  O primeiro passo é os responsáveis pelo HU se mobilizarem junto a quem de direito, no caso o Governo estadual, que rege a Universidade e por extensão esse hospital-escola. Qualquer desculpa que for dada recairá numa única verdade: a falta de interesse dos governantes em levar a sério o sofrimento do povo pobre e doente.

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