O descaso com imóveis públicos
Basta vasculhar um pouco o quarto de entulhos das administrações públicas para descobrir o quanto é desorganizada, esbanjadora, desleixada e desperdiçadora a estrutura governamental. São visíveis as marcas do descaso com o dinheiro do povo e o do mau uso que se faz dos bens patrimoniais que pertencem aos cidadãos.
Sexta-feira este jornal publicou que o Tribunal de Contas do Paraná prepara relatório revelando que existem 6.500 imóveis públicos, no Estado, que se encontram ou abandonados, ou invadidos, ou alugados por preço baixo, outros cedidos de forma irregular e muitos em processo de deterioração. É surpreendente a tão elevada quantidade, inimaginada pela maioria da população e certamente das próprias autoridades governamentais.
O Tribunal demonstra que esse desleixo já vem das gestões dos governos de Álvaro Dias e de Roberto Requião e atravessou os dois mandatos de Jaime Lerner. E mais, que os governantes desconhecem a totalidade dos imóveis do Estado. É um clamoroso desperdício de bens públicos, entenda-se de dinheiro, porque esses imóveis foram edificados ou adquiridos com recursos dos contribuintes.
Os Poderes refestelam-se na farra com o dinheiro extirpado das fontes de produção e dos cidadãos, que naturalmente dependem do uso dos serviços públicos. Se isso não bastasse, vê-se que a administração pública cuida mal do patrimônio sob sua guarda no presente caso um grande número de imóveis, que se tivessem uma destinação correta poderiam proporcionar tantos benefícios. O mal, naturalmente, não é apenas do Paraná mas do País inteiro e está presente em todas as esferas governamentais e em todo os Poderes.
A estrutura oficial roda com suas engrenagens frouxas, e o descontrole parece não ter limite. Mal se denuncia uma negligência governamental, um ato de arbítrio, uma história de corrupção, um escândalo, no âmbito oficial, e já surge outro e mais outro, numa ciranda que parece sem fim, a tal ponto que a memória pública já não consegue armazenar tanta informação negativa, parecendo já nem haver condições de se apurar tantos desmandos.





