O aumento do consumo de agrotóxicos nas lavouras brasileiras revela um cenário preocupante. É conhecido pela Medicina os males que a utilização excessiva desses produtos provocam à saúde humana, o que contribui para aumentar os custos do sistema público de saúde. No entanto, também não se pode condenar os produtores rurais pelo uso de defensivos e agrotóxicos. A agricultura é uma atividade de alto risco, sendo bastante suscetível às variações climáticas e à ocorrência de pragas. Portanto, as aplicações têm sido usadas para diminuir o risco de prejuízos na produção.
  Tampouco devem ser incentivadas as ‘‘vendas casadas’’ promovidas por revendedores agrícolas. A utilização tem que ser baseada na realidade e não na hipótese de ocorrência de pragas ou doenças. Em uma relação simplista seria o mesmo que ministrar um antibiótico a criança antes mesmo do seu adoecimento.
  A ‘‘aplicação preventiva’’ de agrotóxicos e defensivos é uma prática que deve ser banida porque estimula o consumo, provocando muitas vezes aplicações incorretas e gastos desnecessários. Além disso, expõe ainda mais trabalhadores e moradores da zona rural. A assistência técnica deve ser mais focada no fato concreto.
  Talvez a resposta para esse problema venha das pesquisas de melhoramento genético das sementes. Os avanços da biotecnologia promovidos nos últimos anos são inegáveis. Por meio da modificação das sementes tem sido possível obter ganhos na produção sem necessariamente aumentar a área plantada. No entanto, nem sempre uma pesquisa consegue aliar ganhos de produtividade à resistência de pragas e doenças. Este seria o cenário ideal.
  A balança comercial brasileira ainda é sustentada pelo agronegócio brasileiro. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, na primeira semana deste mês houve aumento de 18,5% no resultado na comparação com o mesmo período do ano passado. Os itens básicos foram os que mais contribuíram para o resultado. Entre os sete produtos que compõem a relação, seis são commodities agropecuárias. O País depende do desempenho da produção agrícola para manter o seu crescimento. No entanto, talvez seja necessário intensificar campanhas de conscientização com todos os elos da cadeia produtiva.

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