Entre 2010 e 2014 foram confirmados 40, 6 mil casos de aids por ano no País. A disponibilização de um novo medicamento, o dolutegravir, para pacientes em início de tratamento de HIV pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é considerada um avanço no tratamento antirretroviral. O tratamento atual é composto por três medicamentos, tenofovir, lamivudina e efavirenz, mas o efavirenz provoca uma série de efeitos colaterais e, por isso, há uma alta incidência de abandono do tratamento. O dolutegravir vem substituí-lo.
Inicialmente, o novo medicamento será ofertado no SUS a todos os pacientes recém-diagnosticados começando o tratamento e também aos pacientes que apresentam resistência aos antirretrovirais mais antigos. A expectativa é que em 2017 cerca de 100 mil pacientes iniciem o uso do novo remédio.
A Folha de Londrina analisou a política de enfrentamento do HIV/aids, no último fim de semana, ao entrevistar o coordenador executivo da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Salvador Corrêa. Na opinião do especialista, a entrada no programa do remédio representa um avanço mas não é suficiente para colocar o Brasil novamente no patamar de referência internacional que o País ocupou até meados da década passada.
A situação do Brasil, hoje, é diferente. Os últimos balanços da Organização das Nações Unidas (ONU) colocaram o Brasil na triste liderança de novas infecções, de mortalidade e transmissão vertical (de mãe para filho) na América Latina.
Nos últimos anos, houve deficiência na política de enfrentamento da aids, que fizeram com que a doença avançasse. Na opinião do coordenador da Abia, foram principalmente falhas na prevenção e tratamento. Todo paciente com HIV ou aids tem direito ao tratamento gratuito no Brasil, mas existem algumas lacunas nos serviços que variam conforme as regiões do País, pois os municípios são responsáveis pela implantação dos serviços.
Assim, é necessário analisar as particularidades regionais e identificar os problemas, que podem estar relacionadas com logística, treinamento dos profissionais, investimento e capacidade de dialogar com os vários grupos mais afetados pela epidemia. É preciso avançar no tratamento e nas pesquisas médicas, mas é necessário combater também o preconceito e a discriminação.

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