O homem se tornou vítima da preguiça, do comodismo e dos alimentos e bebidas que consome. A reportagem de hoje da Folha de Londrina traz um grande alerta. Em 2030, as doeças crônicas provocadas pelo estilo de vida inadequado serão a causa de 70% das mortes em todo o mundo. Se até a metade do século passado, 50% das mortes eram causadas por doenças infecciosas, atualmente, com o avanço da medicina, elas respondem por 5% dos óbitos.
  Por outro lado, as estatísticas de órgãos de pesquisa ligados à saúde mostram que as doenças crônicas vêm ganhando espaço de uma maneira assustadoramente rápida. Elas aparecem em decorrência do consumo excessivo de alimentos calóricos, gordurosos e industrializados, do estresse, do sedentarismo e do tabagismo.
  Não há desculpas para que essas doenças crônicas continuem crescendo nas estatísticas. São várias as reportagens veiculadas na mídia sobre hábitos de vida saudável. Também são muitas as campanhas que Organizações Não Governamentais (ONGs), universidades e associações médicas realizam com frequência nas principais praças das cidades. Por que as pessoas que recebem orientações de especialistas ou leem matérias sobre isso em jornais e revistas têm dificuldade de colocar em prática os bons conselhos?
  São várias as doenças que têm em comum os fatores de risco como tabagismo, regime alimentar desequilibrado e sedentarismo: doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, obesidade, síndrome metabólica, doença pulmonar obstrutiva crônica e certos tipos de cânceres.
  Os veículos de comunicação estão fazendo a parte deles divulgando incansavelmente reportagens sobre os perigos dos maus hábitos relacionados à vida moderna. ONGs e algumas associações médicas também se revezam em campanhas educativas. Mas as ações realizadas pelos órgãos públicos não parecem estar surtindo resultados expressivos.
  Os serviços municipais de saúde contam com nutricionistas disponíveis para orientar a população? Há programas no serviço público e gratuito que incentivem de maneira ampla a prática de esportes para crianças e adultos? Não basta instalar equipamentos de ginástica nas praças se a população não for instruída a usá-los regularmente.
  Tanto se fala em orientar as crianças, desde cedo, para uma vida saudável, mas é questionável o excesso de propagandas de salgadinhos, doces e refrigerantes nos programas de televisão para esse público. Quanto às cantinas de escolas, a proibição da venda de frituras foi um avanço e o mesmo não deveria ser feito com os sorvetes e outros doces idustrializados? Reverter o número de mortos por doenças crônicas é um desafio que deverá ser vencido pelas próximas gerações. Mas a mudança precisa começar agora.

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