O desafio de vencer a desigualdade na educação
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de setembro de 2019
Folha de Londrina 
O desafio de diminuir a desigualdade social é um debate global. O Brasil é um país extremamente desigual, mas o problema atinge muitas nações. Falar em desigualdade é falar também em pobreza. Em maio deste ano, o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou pesquisa apontando que a desigualdade de renda dos brasileiros atingiu o maior patamar já registrado no primeiro trimestre de 2019. O estudo da FGV mostrou que o índice que mede a desigualdade, o Gini, vem subindo consecutivamente desde 2015, e atingiu em março o maior nível desde o começo da série histórica, em 2012. O indicador Gini monitora a desigualdade de renda em uma escala de 0 a 1 – sendo que, quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. O do Brasil ficou em 0,6257 em março.
A educação também segue a mesma condição de desigualdade. Embora a partir da década de 1990 o Brasil avançou na política educacional, é certo que a equidade é atualmente o maior desafio. O Idea (Indicador de Desigualdades e Aprendizagens), que mede a diferença de aprendizagem entre municípios mostrou que os níveis de aprendizado no País continuam desequilibrados. Com base nos resultados da Prova Brasil, teste obrigatório para o ensino fundamental nas escolas públicas, a ferramenta apontou que menos de 1% das cidades brasileiras têm qualidade alta no ensino de língua portuguesa e matemática, quando avaliada em conjunto com a equidade de nível socioeconômico para os estudantes de ensino fundamental.
Segundo o indicador, as cidades do Paraná, São Paulo e Minas Gerais têm melhor desempenho na Prova, com nível de aprendizagem alto em ambas as competências. Em contrapartida, somente 0,2% das cidades brasileiras têm alto nível de aprendizagem aliada à igualdade no ensino na matemática no quinto ano. Já para português, o indicador é de 0,4%. No nono ano, 0,1% dos municípios estão em uma condição de equidade. Os casos de maior desigualdade socioeconômica estão no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.
Nas regiões Sul e Sudeste predominam as cidades com melhores níveis de aprendizagem, mas com maior desigualdade. Já ao analisar os resultados de matemática na região Norte e Nordeste, há mais cidades com menor nível de desigualdade e menor nível de aprendizagem. Isso acontece porque o aprendizado é baixo nesses Estados, segundo o estudo, fazendo a média cair.
A solução é bastante complexa. Não é apenas uma questão de investimento em educação. Ela passa ainda pela valorização do professor, por melhor gerenciamento dos recursos financeiros e pela conscientização da população em eleger a educação como prioridade para o País, escolhendo representantes políticos que realmente a tenham como uma bandeira.
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