As finanças da Prefeitura de Londrina voltaram ao centro das discussões, nas últimas semanas, devido ao déficit estimado em R$ 205 milhões para 2026. Segundo a administração municipal, o cenário é resultado do desequilíbrio financeiro do ano passado, ainda não integralmente equacionado, e da frustração de receitas neste exercício, sobretudo do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

O cenário acendeu um alerta e levou a gestão municipal a contingenciar despesas, restringir horas extras e adotar medidas para reduzir gastos da administração. Em Londrina, de acordo com dados disponibilizados pela Sefa (Secretaria de Estado da Fazenda), os repasses de IPVA caíram aproximadamente 29% em 2026, uma redução de quase R$ 57 milhões entre janeiro e setembro na comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o secretário municipal de Fazenda, Eder Pires, quando a lei da redução na alíquota do imposto, de 3,5% para 1,9%, foi sancionada, em setembro do ano passado, o orçamento de Londrina já estava em tramitação na Câmara Municipal de Londrina. Também havia a expectativa de um “retorno” ao Paraná de veículos registrados em outros estados, atraídos pela nova alíquota, atualmente a menor do país, o que poderia amenizar a perda de arrecadação.

A prefeitura projeta uma perda da ordem de R$ 72 milhões com o IPVA até o fim deste ano e uma frustração de aproximadamente R$ 24 milhões em relação ao valor projetado do Fundeb, que também recebe recursos provenientes do IPVA.

Segundo Pires, enquanto alguns municípios recorreram ao aumento de impostos para compensar perdas de receitas, Londrina optou por não seguir esse caminho e concentrou os ajustes na redução e otimização dos gastos.

Em reportagem nesta edição, gestores da região mostram como estão enfrentando o desafio de equilibrar as finanças a partir da queda de receita. O represamento de investimentos relatado por prefeitos pode ser uma alternativa para preservar os serviços essenciais durante o período de contingenciamento.

O desafio imediato é enfrentar o déficit sem comprometer as políticas públicas e, paralelamente, elaborar um plano de recuperação. A população precisa conhecer a dimensão das perdas, os critérios adotados para definir prioridades, as despesas que serão revistas e os investimentos que poderão ser afetados.

A transparência vai permitir que a sociedade compreenda as escolhas feitas pelos gestores públicos e ajude a fiscalizar os processos e a enfrentar as dificuldades.

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