O leitor nos desculpe por voltar ao tema “guerra no PSL”, mas é preciso fazer uma reflexão após a avalanche de baixarias, acusações, memes e insinuações que tomaram conta das redes sociais de políticos e seus seguidores. Mais uma vez, no calor da discussão, surge a denúncia do uso de perfis falsos no Instagram ou Facebook, multiplicando fake news país afora para ajudar ou prejudicar um político e também para influenciar projetos.

A denúncia mais recente partiu da deputada federal Joice Hasselmann, do PSL de São Paulo, ex-líder do governo no Congresso. Nas últimas entrevistas concedidas pela parlamentar, Hasselmann afirmou que assessores dos filhos do presidente Jair Bolsonaro atuam com perfis falsos em redes sociais.

Ao jornal O Globo, a deputada disparou: “São pelo menos 20 Instagrams fakes, criados por assessores ou gente ligada a assessores — eu tenho os nomes,mas não vou divulgar agora — e interligados com 1.500 páginas, muitas delas fakes e outras que trabalham pra fakes”.

Esse “gabinete”, segundo a deputada, seria responsável por promover uma ação coordenada nas redes sociais para atacar aliados e disseminar informações falsas.

As denúncias foram feitas após Hasselmann trocar ofensas com os filhos do presidente da República, protagonizando um capítulo nada elegante da história da disputa interna pelo controle do PSL.

Obviamente, na tentativa de aproveitar a crise entre o presidente Bolsonaro e o PSL, a oposição já tratou de apresentar requerimentos para convocar Hasselmann e o deputado Delegado Waldir (ex-líder da legenda na Câmara) para prestar depoimento na CPI das Fake News.

Como qualquer denúncia, as afirmações da parlamentar precisam ser apuradas e é cedo para falar nas consequências dessas declarações. O fato é que a proliferação de notícias falsas é uma séria ameaça à democracia e nunca foi tão urgente conseguir separar a verdade da mentira. Principalmente porque a desinformação alcança uma velocidade assustadora quando chega aos aplicativos de troca de mensagens na internet.

Ajudar a sociedade a reconhecer uma informação falsa é uma das missões da imprensa nestes tempos em que os avanços tecnológicos acelerados permitem que se propague mentiras para todo o mundo.

Jornalistas trabalham com bastante engajamento para oferecer à sociedade o antídoto contra a desinformação, um tratamento feito à base de uma cobertura jornalística profissional, com imparcialidade, investigação de fatos e credibilidade.

Considerando a aproximação das eleições de 2020, é preciso correr contra o tempo pois o pleito representará mais um grande desafio no combate à desinformação.

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