Foi com grande surpresa, decepção e revolta que recebemos a informação de que uma parcela dos camelôs da Avenida Leste-Oeste não pretendem mais se instalar no shopping popular que está sendo organizado pela Prefeitura de Londrina. A surpresa e decepção se devem ao fato de Londrina está muito próxima de dar um fim adequado, justo, correto e viável para a existência de uma atividade ilegal que passou a tomar conta das ruas da cidade.
Criar o shopping popular, na avaliação da ACIL, é atender de um lado a questão social, por manter o meio de vida das pessoas hoje instaladas no Camelódromo, e ao mesmo tempo tirá-las da ilegalidade, uma condição na qual ninguém pode se manter. A ACIL, que vem há anos acompanhando de perto a questão dos camelôs, sempre fez e sempre fará a defesa da legalidade por considerá-la o melhor caminho.
Fazer vistas grossas ou acobertar atividades ilegais representa criar uma base distorcida para a comunidade - no caso, gerando uma categoria de comerciantes que trabalham alheios a qualquer lei, regra ou regulamento seja em relação ao seu estabelecimento seja quanto aos produtos que vende. Isso significa concorrência desleal. Representa também abrir um precedente segundo o qual todos, indiscriminadamente, podem seguir o mesmo caminho. O que, sabemos, seria o fundamento do caos.
Já a revolta, nesse episódio, vem por conta da interferência infeliz e desastrosa do deputado estadual Antonio Carlos Belinati. Não é difícil imaginar quais seriam os reais interesses do parlamentar ao fomentar por iniciativa própria ou não a desistência dos camelôs em participar do shopping popular. Um deles, talvez o maior, seria o de prejudicar a atual administração do município, ao não permitir que prefeitura elimine um problema sério e o transforme numa conquista concreta.
Defender os interesses dos próprios camelôs não seria um motivo, já que para esse grupo a insistência em permanecer na ilegalidade deverá trazer mais prejuízos do que resultados. A prefeitura tem sido firme em sua posição e tem as leis do seu lado, assim como a responsabilidade de agir. Se eles não forem para o shopping popular, nas calçadas da Cidade seguramente eles não vão ficar.
A postura do deputado Antonio Carlos Belinati é meramente política e revela o quanto Londrina perde sempre que interesses políticos prevalecem sobre questões tão importantes. Deputados, assim como o prefeito e vereadores, foram eleitos para defender a coletividade. Por isso, têm uma enorme responsabilidade sobre suas iniciativas e não podem se lançar em atos irresponsáveis.
DAVID DEQUÊCH NETO é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).

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