O déficit contínuo de moradias populares
Mantém-se há muitos anos, no Brasil, o déficit de 8 milhões de moradias para atender à população pobre, porque se o Governo tem atendido em parte ao setor, mais famílias sem teto vão surgindo e aquele número pouco se altera. Ao mencionar esse índice, a Fundação Getúlio Vargas-Projetos mostra que até 2020 o Brasil precisará construir 28 milhões de casas populares para atender à demanda calculada. O presidente Lula anunciou, ao assumir o primeiro mandato, que um dos seus atendimentos prioritários seria a construção de moradias para o povo carente, mas o quadro não se modificou, por conta do natural aumento populacional e com o equivalente número de carentes.
Zerar o déficit da habitação popular não é meta tão difícil, mas para isso é preciso o Governo preocupar-se mais com isso, porque equivoca-se a comunidade no poder se imagina que os problemas brasileiros da pobreza se resolvem apenas com programas do tipo bolsa-família. Esta é uma medida necessária face à miséria extrema de muitos bolsões da população, mas é um remédio que por si só não basta. O enorme volume de dinheiro arrecadado, que abarrota os cofres do Tesouro e mantém uma considerável reserva de moeda, seria suficiente para financiar moradia ao povo pobre, até porque, não se tratando de doação mas de aquisição, a cada mês há um retorno de capital à instituição financiadora. Segundo a FGV, o número de edificações desse padrão teria de subir para 2 milhões de unidades por ano, mas o Governo não tem atendido a essa demanda. Por isso o déficit vai se mantendo, justamente pelo progressivo aumento populacional.
Num país com tanta riqueza, não se concebe a existência contínua de tanta gente vivendo nos cortiços, longe dos benefícios da vida contemporânea. Grande responsabilidade por isso recai sobre os governos, que arrecadam fortunas e esbanjam no desperdício, nas mordomias, no dinheiro mal aplicado e na corrupção. O Governo no poder, que levantava a bandeira do populismo, contribuiu pouco para melhorar as coisas no campo social.
Ontem este espaço editorial referiu-se ao alerta da ONU sobre o estado alarmante da corrupção e da violência no Brasil. Assim, onde grassa a violência, deve-se atentar que a razão disso é também a a baixa condição de vida de tanta gente, em especial a que habita as favelas e assentamentos. Males como este só serão diminuídos ou eliminados por emprego, que é o instrumento de auto-sustentação do indivíduo, e moradia decente, e tudo o mais irá se resolvendo.





