O dedo na balança
Bastou sair a pesquisa da Vox Populi, contratada pelo PSDB, mostrando Lula em queda e Serra em alta para que o maior prejudicado, Garotinho, se insurgisse contra a sondagem e sugerindo que partidos políticos não poderiam promovê-la. Não há instituição mais interessada em pesquisas do que partidos políticos. Se não cabe interditá-las aos bancos como fazê-lo sem ferir de morte o processo eleitoral?
A bronca é compreensível, pois dificilmente se arguirá a neutralidade de um partido como contratante. No mínimo, na hora dos arredondamentos, não será impossível conceder em benefício do cliente as margens de erro para mais e em agir ao contrário relativamente ao concorrente mais próximo. Mas uma entidade, banco ou uma Confederação como a dos Transportes, está sujeita a suspeitas como já se viu, inclusive com a última da Sensus, quando se alegou que a direção da instituição é de um pefelista.
Suspeitas sempre haverá e as mais veementes, como se dá normalmente com Ciro Gomes, partem daquele que está irremediavelmente por baixo. Maquiagens várias podem ser feitas em pesquisas como a de manipular o número de indecisos e as margens de erro. Isso pode ser feito na pesquisa de audiência de TV e rádio com os aparelhos desligados, por exemplo. A única forma de melhorar o quadro é a fiscalização dos interessados, a exigência do cumprimento de normas, a clara exposição da metodologia empregada.
O instituto de pesquisa que se expuser à desmoralização por registros falsos terá a sanção da opinião pública desde que essa não exerça o mau hábito, aliás fatal, da falta de memória por método.
BIZARRICE O MST promete um armistício sem invasões até a eleição. Dá ainda para duvidar que suas ações são meramente políticas? Tanto que terminada a eleição promete invadir, ganhe quem ganhar. Na verdade só eles ganham. Isso porque as instituições, frouxas, querem fazer o politicamente correto.
AXIOMA Convenções partidárias em junho significam só uma coisa: elas serão entorpecidas pelo clima da Copa do Mundo. Se os partidos já não tem militância dá para imaginar a dificuldade de convocá-la em meio à fúria do futebol.
GLOSA Aos supersticiosos não passou despercebido o fato de que a penalidade inexistente que beneficiou o Brasil lembrou a que existiu contra nós em 1962 no jogo com a Espanha e não foi assinalada. Um silogismo sugere o penta.
EPIGRAMA Capacidade de gerar fatos políticos é maior no governo do que na oposição. Vide a torrente de anúncios institucionais em cima do novo perfil da economia paranaense. Contestá-los é mais difícil do que coonestá-los até porque são repetitivos como reclame da Coca Cola.
VINHETA Ontem não poucos candidatos imaginaram ser beneficiados por um erro de juiz como o do jogo Brasil x Turquia. Na política, o gol com a mão é a glória.
FOLCLORE Se o Rafael Greca levar a melhor na convenção do PFL tanto Lerner como Taniguchi e mais João Elísio se verão impelidos a sair do partido. Não é possível que com toda máquina apanhem. Seria incompetência demasiada. Data da convenção para o dia 15 ainda é uma batalha ganha pelos governistas.
CROMO Nem todo o canto de pássaro noturno é premonitoriamente lúgubre.
AFORÍSTICO Costura na frente trabalhista está emperrada. PTB não aceita encher a bola de um partido esvaziado como o PDT nas proporcionais.





