Nos Estados Unidos, onde nasceu, ele é chamado de ''Miracle Baby''. Mesmo quem não acredita em milagres fica emocionado quando ouve a história de Daniel. Para que ele viesse ao mundo, a mãe, Daniela Vezozzo, 28 anos, lutou durante 7 meses com um tumor no cérebro. Contrariando as leis da natureza e os prognósticos médicos, Daniel nasceu no dia 6 de fevereiro do ano passado. Hoje, o bebê saudável de lindos olhos azuis e sorriso contagiante é, para uns, a constatação de que a vida não é mesmo uma ciência exata; para outros, Daniel é a prova de que milagres ainda acontecem.
''Eu sempre soube que não poderia ter filhos. Tive leucemia aos 5 anos de idade, fiz radioterapia, quimioterapia e minha saúde sempre foi frágil. Cresci consciente de que não poderia engravidar'' - conta Daniela. A decisão foi fortalecida quando ela se casou, em 1996, com um primo. ''Nosso grau de parentesco é muito próximo e desde o início nós sabíamos dos riscos de uma gravidez'' - confirma o marido, Mauricio Farhat. As mães de Daniela e Maurício são irmãs. Logo depois do casamento, os dois foram morar em Las Vegas, onde Maurício fez mestrado em Gerenciamento de Construção (ele é engenheiro) e Daniela iniciou um curso de hotelaria. O primeiro tumor apareceu 4 anos depois. ''Eu comecei a ter problemas de visão e pensei que era o óculos. Os médicos descobriram um tumor na minha cabeça e foram necessárias 12 horas de cirurgia para extraí-lo'', lembra Daniela. Dois anos mais tarde, numa consulta de rotina na ginecologista, Daniela ouviu uma notícia que a deixou em estado de choque: estava grávida.
A reação da família foi unânime - ficaram todos apavorados. ''Nossos pais sumiram durante dois dias e não conseguíamos falar com eles'', lembra Maurício. O temor de que o feto tivesse problemas causados pelo excesso de radiações que Daniela recebeu ou pelo fato dos pais serem primos se revelou infundado. Os exames confirmaram que o bebê era normal. ''Eu fiquei muito feliz. Foi um presente inesperado'', resume a mãe. No terceiro mês de gestação, outra ''bomba'' abalou a família: os médicos descobriram um novo tumor no cérebro de Daniela. A celebrada gravidez se transformou num problema: os hormônios faziam com que o tumor crescesse rapidamente e, por causa do bebê, Daniela não podia tomar nenhum tipo de medicação. ''Os médicos nos alertaram que talvez fosse preciso fazer um aborto. A única chance que nós tínhamos era rezar para que o bebê crescesse mais rápido do que o tumor'', revela Maurício.
Daniela decidiu arriscar. ''Eu sou uma lutadora. Aceito os desafios e vou em frente'', afirma. No sétimo mês da gravidez, ela acordou uma manhã com todo o lado direito do corpo paralisado. No hospital, os médicos decidiram operar. Duas equipes trabalharam juntas no centro cirúrgico fazendo, ao mesmo tempo, a cesareana e a cirurgia para retirar o tumor, que já estava do tamanho de uma laranja. ''Foi uma coisa sobrenatural, sabe? Como se houvesse a mão de alguém sobre aquela situação. Nosso bebê conseguiu exatamente o tempo que precisava no útero da mãe'', diz Maurício. Apesar de prematuro, Daniel ficou apenas uma semana na incubadora. A essas alturas, nada mais surpreendia os médicos.
O casal é católico e não acredita em coincidências. ''Hoje eu sei porque nós fomos morar lá, um dos maiores centros médicos do mundo. Estávamos no lugar certo, na hora certa'', afirma Maurício. A luta do casal para ter o bebê acabou virando notícia e sensibilizou todo o país. O tratamento de Daniela, que custou mais de 300 mil dólares, foi quase todo doado pelo Sunrise Hospital. ''Os médicos nos deram descontos, as pessoas nos davam presentes, foram carinhosos e solidários conosco'', recorda Maurício. O casal recebeu até uma carta do presidente George Bush desejando ''um futuro feliz e saudável'' para Daniel.
De volta ao Brasil, Mauricio e Daniela se preparam para fixar residência em Curitiba. Eles querem ficar perto da família. A luta de Daniela ainda não terminou. Logo depois do nascimento do filho, ela descobriu um outro tumor no cérebro, que foi removido. Recentemente outros dois tumores apareceram e estão sendo tratados através de radioterapia. Ela também faz fisioterapia para recuperar o equilíbrio do lado direito do corpo, que ainda não está totalmente normalizado. A conclusão do curso de hotelaria foi adiada, mais uma vez. No entanto, Daniela não se queixa. Tranquila, com o olhar firme, ela segura o filho no colo e fala do futuro: ''A vida é feita de momentos felizes, como o que eu tive quando segurei o Daniel no colo pela primeira vez. Eu quis dar o meu nome para ele porque eu sou uma pessoa que aceita as coisas como elas são mas não desiste de lutar. Eu não faço drama. Sei da minha situação de saúde mas vou em frente. É esse espírito que eu quero passar para o meu filho''.

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