O declínio de Renan Calheiros
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e o mais novo acusado de praticar atos de corrupção, vive o seu pior momento político e tem o cargo ameaçado. Agora virou saco de pancadas. Ontem, por exemplo, depois de ouvir pedidos no plenário do Senado para se afastar do cargo, Renan foi informado por integrantes do comando da Câmara de que ele não será bem-vindo na sessão do Congresso que votará a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A Câmara teme que caso Calheiros atrase votação da LDO, segundo a Agência Estado.
Renan responde a processo de cassação no Conselho de Ética do Senado depois que foi acusado de ter parte de suas despesas pessoais, incluindo a pensão para a jornalista Mônica Veloso - com quem teve uma filha fora do casamento -, custeada por lobista da empreiteira Mendes Júnior e de ter apresentado recibos falsos para comprovar sua renda.
O que impressiona é a capacidade dos políticos de contornarem as adversidades e se adequarem ao ambiente de sobrevivência. Nos primeiros dias após denúncia da revista Veja, senadores de quase todos os partidos se arvoraram e saíram na defesa do grande líder. Minimizaram as acusações. Chegaram a dizer que acusar políticos está na moda. Deveriam reconhecer que a corrupção nunca esteve tanto na moda.
Mas, à medida em que os argumentos em sua defesa perderam consistência, Renan foi ficando isolado. Entre o corporativismo e a sobrevivência, os políticos optaram pela sobrevivência, afinal o barco de Renan foi fazendo água. Já não dava mais para esconder o estrago feito pelos benefícios que recebera de uma grande empreiteira.
A diluição dos poderes de Renan pode ser resumida na postura da Câmara, ontem. Em duas reuniões do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a presença de Renan na futura sessão foi contestada. Na primeira, por integrantes da Mesa e, na seguinte, por líderes partidários. A sessão conjunta da Câmara e do Senado deverá ser marcada para a próxima semana.
Agora até a Receita Federal ataca. O presidente do Senado Federal está com suas contas na mira da Receita Federal. Segundo a Folhapress, uma fonte ligada à instituição confirmou que as transações feitas pelo senador estão sob investigação. O objetivo é saber se as movimentações e seu patrimônio são compatíveis com seus rendimentos. Enquanto isso, as mentiras de Calheiros, principalmente sobre a comercialização de bois, vão sendo alvo de piadas.





