Uma das principais correntes internacionais sobre o comportamento eleitoral - ao lado da psicológica e da sociológica -, a teoria da escolha racional, predominante desde a década de 60, aponta, grosso modo, que o eleitor está de olho no custo do voto. Ou seja, para votar, o eleitor faria o seguinte cálculo: quanto me custará obter informação sobre os candidatos? Assim, na linha da teoria da escolha racional, o horário eleitoral gratuito na TV, que começa hoje em todo País, teria a função de ''baratear'' o custo da informação.
Ainda que seja uma ferramenta desprezada por alguns eleitores e distante até de alguns candidatos, que tentam espremer o número de urna em segundos, a propaganda na TV no Brasil é indubitavelmente de fácil acesso ao eleitor e continua na prática marcando o início do período eleitoral para a maioria do eleitorado.
Mas será que o eleitor não pode mesmo tirar proveito da propaganda eleitoral na TV? Pode e deve, mas precisa ir além disso. Ninguém pode negar que ali na telinha há uma fatia de informação, mesmo levando em consideração o ''verniz'' levado pelos marqueteiros ou a precariedade técnica do partido com menos recursos. Aliás, o eleitor pode começar sua análise pelo próprio tempo de TV, maior para quem está unido a mais partidos políticos. Como será um mandato de alguém que carrega mais legendas? E como será o mandato de alguém que não carrega nenhuma?
Mas o eleitor não deve se satisfazer apenas com a propaganda na TV. Ele deve buscar todo tipo de informação, em mais de uma fonte. Ainda que isso tenha um ''custo'' maior. Conhecer o passado do candidato, como entrou na política, onde trabalhou, como trabalhou, saber se ele responde a processos na Justiça e por quais motivos, saber sobre o que ele pensa sobre determinados assuntos e como pretende solucionar problemas.
A quantidade de informação que circula sobre os candidatos será cada vez maior quando o eleitor se interessar em buscá-la. Trata-se de custo/benefício. Quanto mais se investir na busca pela informação, da mais ''barata'' até a mais ''cara'', mais chances teremos de escolher o melhor candidato.

mockup