O custo das queimadas para o SUS
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sexta-feira, 04 de outubro de 2019
Folha de Londrina 
As queimadas da Amazônia representam um grande risco à saúde da população. A conclusão é de um estudo realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgado na quarta-feira (2). Não se trata de uma previsão para o futuro, mas de uma constatação do cenário atual. Além de todo o drama pessoal e familiar ocasionado pelas doenças relacionadas à poluição, ainda existe o prejuízo financeiro.
Segundo a pesquisa da Fiocruz, detalhada pela FOLHA na edição de 3 de outubro, as queimadas na Amazônia geraram um custo excedente de pelo menos R$ 1,5 milhão ao SUS (Sistema Único de Saúde) somente para o atendimento de crianças de até 10 anos. O estudo concluiu que, nas áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou. É a péssima qualidade do ar cobrando o seu preço.
Ao todo, em maio e junho deste ano, o SUS registrou a internação de 5,1 mil crianças, 2,5 mil a mais do que o normal, em 100 municípios da Amazônia Legal, em especial nos Estados do Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso. O sanitarista Christovam Barcellos, que coordenou o estudo, explicou que em geral, 6% dos leitos nos hospitais são dedicados à internação por problemas respiratórios, mas nesse período dobrou, chegando a 12%. Situação que ajudou a sobrecarregar os hospitais públicos, já tão afetados com a superlotação e a falta de recursos financeiros e de pessoal.
Lembrando que a pesquisa levou em conta apenas os leitos operados pelos SUS e as internações de crianças até 10 anos, indicando que o impacto das queimadas na saúde deve ser muito maior - os problemas respiratórios afetam idosos, adultos e a população indígena.
Neste ano, o avanço das queimadas da Floresta Amazônica ultrapassou as fronteiras do Brasil e foi um dos temas que mais geraram interesse mundo afora. Nos últimos meses, celebridades se manifestaram, muitas delas reproduzindo fotos e vídeos de anos atrás, dando margem à proliferação de fakes news. As rusgas entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da França, Emmanuel Macron, foram replicadas via redes sociais para quem quisesse acompanhar a polêmica.
O fato é que alarmismo não ajuda em nada. É verdade que as queimadas não são um problema do presente e há décadas a floresta vem sendo destruída pelo fogo e pelo desmatamento criminoso. Mas estudos como o realizado pela Fiocruz são importantes porque mostram que é preciso reconhecer que o problema é real e, de um jeito ou de outro, está custando caro para o País.
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