O custo Brasil e o corporativismo patronal (José Luiz Schuchovski)
José Luiz SchuchovskiO custo Brasil e
o corporativismo
patronal
Políticos, governantes e líderes empresariais e de trabalhadores discorrem, com frequência, sobre o custo Brasil de produção. Falam muito, dizem pouco e ação que é bom, quase nada.
Na hora do vamos ver, cada um, à sua maneira, defende o que é de seu interesse ou do grupo que representa. Ou seja: todos querem, mesmo, diminuir a parte do custo Brasil do outro.
Uma mostra bastante ilustrativa dessa mentalidade ocorreu quando o Ministro do Trabalho sugeriu a eliminação das contribuições aos chamados sete S nas guias de recolhimentos previdenciários. Quase apanhou por propor o que alguns medíocres líderes empresariais consideram um disparate. A intenção do senhor ministro, por óbvio, não era acabar com estes Serviços Patronais, que prestam serviços a uma ínfima parcela dos trabalhadores das áreas industriais, comerciais e de transportes. Queria, isto sim, mudar a maneira como são custeados. Pretendia, apenas, que os mesmos obtivessem receita por próprios méritos e sem a compulsoriedade generalizada onde um imenso universo de sobrecarregadas empresas paga o pato do rega-bofe de um dos patronatos empresariais mais retrógados do mundo.
E alguém acha que os dirigentes das Confederações e Federações das Indústrias, Comércio e Transportes - salvo sempre honrosas exceções - abririam mão destes recursos compulsoriamente carreados para as suas respectivas capitanias empresariais? É claro que não. A maioria deles prefere posar de assistente social de luxo, sem se dar conta que o molho da pseudo benemerência fica mais caro que o peixe do resultado prático. Eles ignoram - ignoram? - que o custo real de atendimento a cada criança em qualquer das inúmeras creches destas pulverizadas instituições ditas sociais custa mais do que a mensalidade do melhor colégio. Ou, em geral, mais que o salário da maioria das mães que a elas recorrem. O atendimento médico e odontológico - somados todos os dispêndios - é mais oneroso que o da maioria das clínicas particulares. Os cursos profissionalizantes são mais caros que os ministrados em uma universidade, padrão A.
Muita gente vai discordar destas afirmações. Ao defenderem, numa emocionada reação em cadeia, os mastodônticos Sistemas, alguns o farão com propósitos honestos. Com base numa aritmética simplista que não leva em consideração a verdadeira relação custo-benefício, utilizarão meia dúzia de contas para desdizerem estas afirmações. No entanto, se examinassem, com rigor e isenção, qual é verdadeiramente o custo administrativo, operacional, financeiro e patrimonial que incorre sobre este assistencialismo patronal, verificariam o óbvio: muitos pagam muito para pouco usufruto de poucos.
No meio do caminho, a pedra. Uma pedra que precisa ser melhor examinada pelos Tribunais de Contas que têm a incumbência de inspecionar os múltiplos usos de um dinheiro que não é mais dos empresários e sim dos trabalhadores e seus dependentes. É dever desses Tribunais averiguar quantos cursos profissionalizantes, quantas obturações, quantas consultas médicas e quantas merendas de creche deixam de ser feitos para sustentar a mordomia e a ambição pessoal e política de certos dirigentes de Federações e Confederações.
A conta é tão fácil como descobrir com quantos paus de faz uma canoa.
- JOSÉ LUIZ SCHUCHOVSKI é arquiteto e construtor e ex-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.





