Nunca o noticiário foi tão policial. Sequestros, chacinas, atentados, balas perdidas, assaltos a ônibus e homicídios tomaram as manchetes da Folha nos últimos meses, fenômeno que se repete em todos os veículos impressos e da mídia eletrônica. Os pacotes econômicos e as articulações políticas, que há algum tempo dominavam o alto das páginas, estão cedendo espaço na imprensa brasileira, em escala crescente, para a criminalidade. A Folha, como outros órgãos de comunicação, só reflete uma triste realidade: a sociedade parece estar perdendo a guerra contra os bandidos. E se vê forçada a dedicar cada vez mais espaço para notícias sangrentas, em que os ‘protagonistas’ são sempre marginais, e as fontes de informação, principalmente delegados de polícia, investigadores, testemunhas, suspeitos. O crime prospera e sai das páginas policiais para ganhar o noticiário de Política – caso dos deputados e prefeitos petistas assassinados. Ou de Economia – o ex-banqueiro preso e os donos de postos indiciados por formar cartel, por exemplo. E até de Esportes – como no episódio da CPI do Futebol, que trouxe à tona a corrupção da cartolagem brasileira. O cidadão, quando aparece no jornal, é quase sempre na condição de vítima – de políticos corruptos, empresários desonestos, assaltantes impunes, sequestradores profissionais. No passado, jornais essencialmente policiais eram considerados sensacionalistas. Hoje, são só fiéis aos fatos.

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