Embora não era de se esperar o contrário, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, passou uma mensagem de otimismo e confiança no Brasil ao falar ontem em Londrina, a convite da Associação dos Comerciantes de Material de Construção. O mesmo ele fizera pouco antes, ao discusar perante autoridades e empresários brasileiros e alemães na inauguração da indústria de medicamentos Hexal. Demonstrando convicção e crença nos bons resultados da política econômica que vem adotando, o homem forte do Governo Lula admite que a carga tributária é pesada e consome energia da sociedade, porém não faz promessa de amenizá-la abruptamente e apenas acena com o indicativo de parar de aumentá-la. Palocci não faz o gênero do político propagandista e lança também sobre o empresário a responsabilidade de planejar seu investimento. Manifesta sinceridade ao afirmar que se empenha no favorecimento da empresa, para que seja forte, sem muito imposto e sem muita burocracia, mas percebeu-se que, por ora, os altos impostos continuarão, porque segundo o ministro eles são a contingência para pagar as contas do governo. Os pontos fixos do ministro são garantir o controle da inflação, o ajuste fiscal e a adequação das contas externas, e a partir daí o País financiar-se com seu próprio esforço. Os que esperam por medidas de choque ou algum pacote econômico, como os tantos que surpreenderam o Brasil no passado, sem grande resultado positivo, podem aguardar à sombra porque tal não ocorrerá na gestão de Palocci. Ao contrário, a meta é manter uma política de crescimento sustentado, com ''o governo cumprindo sua parte e deixando a atividade privada crescer''. Diferente de alguns arautos do governo, Palocci revela-se mais o técnico que o político e defende ações de resultado gradual. Entre as metas, saldar as dívidas e assim reduzir o perfil do endividamento coisa para dez a doze anos, como diz mantendo o fluxo de capital de forma a garantir o socorro, quando necessário, pela recorrência aos próprios meios. Demonstra não impacientar-se diante das críticas e é partidário da política de o Brasil ir fazendo as coisas básicas, gradualmente. Revela prudência ao recomendar aos brasileiros não gastarem além do ganho, porém sem medo da ocorrência de crises, e que o esforço deve ser maior quando as coisas vão bem, no sentido de não negligenciar e mantê-las bem. A postura serena do ministro e a sua demonstração de otimismo criam um clima de entusiasmo entre os que o ouvem, não se podendo afirmar que ele não fale com sinceridade e que lhe falte convicção. A presença dos governantes no corpo a corpo com as classes empresariais e os cidadãos tem o mérito de eliminar eventuais arestas e análises às vezes equivocadas, pela oportunidade que oferece de se ouvir e de se falar, de apresentar reivindicações, aclarar situações e estreitar contatos que, de outra forma, são mais difíceis.

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