O crescimento da devastação amazônica
Os últimos 12 meses foram ainda mais desastrosos para a Amazônia, porque houve aumento da devastação da floresta. A presença do espalhafatoso ministro Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente não trouxe resultados favoráveis, mas ele se vangloria de uma pequena queda isolada do desmate em julho. Especialistas dizem que as derrubadas, para conversão em áreas de agricultura e pastagem, são consequência do reaquecimento do mercado externo de soja e carne.
Com 55,7% da área desmatada, Mato Grosso - do governador Blairo Maggi, amigo de Lula - é o campeoníssimo, seguido muito longe do Pará, Rondônia e Roraima. Os números, mais altos que os de 2007, são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e mostram que o acumulado de um ano para cá soma 8.147 quilômetros quadrados de destruição. O fato preocupa, mostrando que tudo o que o Governo diz a respeito das políticas de controle não é verdadeiro, porque pouco a pouco a floresta vai diminuindo de tamanho.
Aquele instituto foi chamado de mentiroso pelo governador, mas a realidade não mente, porque as clareiras das derrubadas são detectadas pelos satélites. Há o desmatamento permitido por lei - o que os ambientalistas consideram um absurdo - mas o que vem ocorrendo é a devastação ilegal. O Governo tem conhecimento disso mas nada faz e não tem um plano consistente de defesa desse patrimônio nacional. As Forças Armadas são um poder capaz de colocar um freio nessa corrida destruidora, mas o presidente Lula não as aciona. O pretexto de aumentar a produção de alimentos, à custa da destruição progressiva da floresta, não faz sentido, até porque a previsão do IBGE é que o Brasil não passará de 220 milhões de habitantes daqui a 30 anos, e nesse ponto a população parará de crescer.
Se hoje já há produção alimentar suficiente na relação com o número de bocas do consumo interno (com sobras para exportar), o desmatamento para plantar e criar gado é uma insensatez. Obter renda é um ideal legítimo mas não a preço tão alto. Não por acaso o mundo está de olho na Amazônia, e mapas de livros escolares nos Estados Unidos já separam o território amazônico como uma parte autônoma, fora do Brasil. Os EUA têm ambições intervencionistas e obviamente visam a dominação de tudo. Se os brasileiros não sabem cuidar, irão aguçando os interesses externos por esse ponto vital do mundo - alguns pela intenção de preservar, outros para domínio estratégico e extração das suas muitas riquezas.





