O corpo ideal de mulher - Cellen Giacomelli Groth
O corpo ideal de mulher
Cellen Giacomelli Groth
Cada dia que passa, observa-se o crescimento do número de mulheres que busca um corpo idealizado. Mesmo estando com o peso adequado, a maioria faz dieta com o objetivo de emagrecer. Será que as mulheres estão ficando mais exigentes consigo mesmas ou o conceito de beleza mudou?
Atualmente, são muitas as mulheres que se dividem entre as diversas ocupações do dia-a-dia: casa, esposo, filhos, trabalho, escola, e ainda precisam manter-se belas e em forma, de acordo com padrões ditados pela mídia.
Até alguns anos atrás, a pressão de beleza se dirigia a mulheres com até 40 anos. Depois desta idade, elas eram consideradas senhores. Hoje, elas sentem necessidade de estar em forma e belas até os 60 anos, iguais a garotas-propaganda, porém, é preciso entender que as modelos de televisão têm cerca de 20 anos de idade.
Diante de perfeitas silhuetas anunciadas diariamente, mulheres que se acham fora do padrão da moda decidem que precisam fazer algo urgentemente. O resultado disso é o crescente número de casos de doenças conhecidas como distúrbios alimentares (compulsão de comer, anorexia, bulimia e anorexia bulímica), que atingem meninas e adolescentes cada vez mais novas.
A prática da negação à ingestão de alimentos, o uso de laxantes, a provocação do vômito e a quantidade excessiva de exercícios físicos podem levar à morte, e isso vem acontecendo com pessoas que se preocupam exageradamente com a aparência física.
O padrão Barbie está longe de ser a realidade da mulher brasileira, e não é possível mudar o coro que já foi definido quando fecundado. Busca-se a magreza como meio de demonstração da feminilidade, da mulher bem-sucedida, e correlaciona-se isso com poder, sexualidade e erotismo.
O controle de peso e o culto ao corpo ultrapassam os limites do que se entende por cuidados para manter a forma física em padrões saudáveis para cada indivíduo, e passam a ser muitas vezes a negação ao próprio biótipo, impedindo que as mulheres atinjam o seu próprio eu ideal em busca da perfeição irreal.
O padrão de beleza dos anos 90 é a mulher magra, alta e com músculos bem delineados. E, com isso, a indústria da beleza fatura milhões com produtos que prometem transformar, do dia para noite, a gata borralheira em cinderela.
Em pesquisa feita por alunas das Faculdades Integradas Espírita (FIES) em Curitiba, em 1998, com homens e mulheres de 17 a 50 anos, de diferentes níveis sócio-econômicos, em média, 70% dos entrevistados revelaram estar descontentes com padrões de beleza atuais. Afirmam que as mulheres muito magras não possuem um aspecto saudável. Acrescentam, ainda, que as top models deveriam ser menos magras, porque essa não é a realidade brasileira.
A pesquisa mostra que, para os homens, um aspecto mais considerado em relação à mulher, além da beleza, é a inteligência. O que eles preferem são mulheres simpáticas, sinceras e comunicativas. E, para surpresa, as mulheres estão bem conscientes desses esteriótipos masculinos.
No entanto, de acordo com afirmações de algumas entrevistadas, o que leva a mulher a entrar na batalha em busca da perfeição é uma espécie de competição. As mulheres querem demonstrar, umas às outras, que são mais poderosas e mais persistentes naquilo que querem, resistindo ao apelos das propagandas de guloseimas e partindo em busca do desejado.
Os regimes restritos e os produtos emagrecedores do mercado não são o melhor caminho para uma vida saudável. Eles levam ao efeito sanfona, porque ninguém consegue ficar de regime a vida toda.
A melhor alternativa consiste em uma redução alimentar, durante a qual a pessoa busca diariamente corrigir maus hábitos na alimentação. Assim, a pessoa não deixa de comer esse ou aquele alimento; apenas planeja sua alimentação de forma saudável, deixando os excessos para uso esporádico, e busca associar sempre atividades físicas.
Em uma sociedade que cultua o padrão de beleza esguia, pondo em risco a própria vida, é preciso que nós, profissionais da saúde, derrubemos o conceito de que se deve emagrecer puramente por estética. É fundamental resgatar o verdadeiro paradigma de beleza saudável, inclusive como forma de prevenção de doenças, procurando sempre analisar o biótipo e as necessidades de cada ser individualmente. Assim, vamos cultivar e atingir um padrão estético menos limitante e obter resultados muito mais reais.
- CELLEN GIACOMELLI GROTH é acadêmica de nutrição em Curitiba





