O contínuo e necessário combate às drogas
Parece difícil acabar com os traficantes de drogas, porque ou eles são presos e acabam em liberdade ou então se reproduzem como ratos, a ponto de, aparentemente, não se exercer controle sobre isto. Em julho, poderosos chefões do tráfico - conectados com o Cartel Juarez, com sede no México - foram presos em Curitiba e algumas quadrilhas desbaratadas, por ação integrada da Polícia Federal do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Pensava-se que, ao menos por algum tempo, não haveria por aqui mais quadrilheiros dessa natureza a capturar. Mas agora outra operação da PF resultou em nada menos que 12 toneladas de maconha apreendidas, em Foz do Iguaçu, com a prisão de 25 envolvidos, mais a apreensão de 70 veículos utilizados a serviço do crime (um deles blindado), motos, um fuzil, documentos e dinheiro. Foi uma importante operação da Polícia Federal, que contou com a cooperação de equipes de São Paulo e Alagoas - porque a maconha, que procedia do Paraguai, era enviada também para o Nordeste. Desde 2004, quando as investigações começaram, 50 toneladas de maconha trazidas ao Brasil por essa quadrilha foram apreendidas. Tudo isto exalta o trabalho dos organismos de repressão, mas o que já se escreveu e agora se repete é que desmanches de quadrilhas acontecem mas o tráfico não cessa, nem se tem notícia de que tenha diminuído. A cada golpe contra essa estrutura criminosa, desfechado pelos agentes da polícia, respira-se momentos de alívio, mas logo depois ocorrem mais notícias de formação e prisão de quadrilhas, significando que a correnteza das drogas não foi represada. Quando não retornam à atividade por via dos muitos meios, os traficantes detidos podem ir saindo de cena, mas imagina-se que eles são imediatamente repostos, como peças de uma poderosa máquina, que, como se sabe, tem ramificações internas e transnacionais. Não é segredo para as autoridades policiais e para os governantes do mundo que o virulento negócio das drogas, da criminalidade que caminha paralela e do vício a que é submetida principalmente a juventude, é sem dúvida o mais desafiador que a humanidade enfrenta. E cujos danos são maiores que os das próprias guerras, porque estas são periódicas, porém o fabrico, o tráfico e o consumo das drogas são constantes, envolvendo gigantescos sistemas e fortunas em dinheiro. Quase tudo de mau trilha paralelo a esse insidioso negócio: o tráfico em si mesmo, assassinatos, acidentes, conivência de autoridades, e, pior que isso, o mal do consumo, que leva à dependência e deteriora o organismo e a mente do viciado, cria mazelas de difícil recuperação e introduz a dor e a intranquilidade no seio de tantas famílias. Por isso as ações de combate precisam continuar - e irão continaur, sem dúvida - porque sempre resta a esperança de, ao menos, o mal ser atenuado onde essa batalha for intensa e persistente. Em tais operações também o Exército deveria ser mobilizado, sobretudo nas zonas de fronteira. Uma cruzada educacional também se faz necessária, orientando os adolescentes sobre o risco que as drogas representam. Todos os mecanismos que se tem em mãos precisam ser utilizados.





