É auspicioso saber que Londrina figura como uma cidade de grande expansão imobiliária, porque isto aumenta a disponibilidade de moradias e incrementa os negócios do setor, destacadamente os de material de construção e do mobiliário. E não apenas estes mas uma infinidade de outros, passando pela intermediação das imobiliárias, pela difusão publicitária, pela participação dos arquitetos e pelos detalhes da decoração, até o registro do imóvel. Finalmente, a ocupação do imóvel pelo proprietário, que significa mais comodidade, bem-estar e satisfação pessoal.
Este último aspecto é de fundamental relevância e forma hoje no rol das preocupações dos fornecedores de produtos e serviços. Porque, segundo os conceitos contemporâneos, não bastam apenas os bons preços e a qualidade de tudo o que se vende e se oferece - mesmo que gratuitamente - porque o mais importante é que o adquirente de um bem fique satisfeito. No caso da melhoria crescente da atividade imobiliária em Londrina, a tendência da pesquisa é que esse ritmo irá se manter durante os próximos dois anos. Isso se atribui ao crédito fácil, ao aumento da renda familiar e ao incremento da poupança, conforme declarou a este Jornal Camilo Fortuna Pires, diretor da Companhia Província de Crédito Imobiliário, do Rio Grande do Sul, que está abrindo agência em Londrina.
Mas segundo essa mesma fonte, a moradia popular continua com grande déficit no Brasil - em torno de 8 milhões de unidades, um volume que se mantém alto desde muitos anos. Londrina tem a sua proporcionalidade nisso, pelo grande número de favelas. Apesar dos programas e financiamentos existentes no País, eles são insuficientes para a demanda, porque a população cresce. Esse setor, embora prioritário, nunca recebeu grande atenção governamental, porque só recebe escassos recursos. Paralelamente, a insuficiência de moradia popular num país povoado de favelas e assentamentos mostra que os padrões de pobreza mantiveram-se, sem grande evolução na melhoria da qualidade de vida.
O poder público precisa subsidiar com mais verbas esse programa social, porque com baixo ganho salarial as camadas sem habitação decente não têm condições de bancar tal investimento. O Governo, que disponibiliza do dinheiro, é que precisa bancar esse projeto se deseja diminuir os níveis de desconforto de milhões de patrícios. E se os recursos orçamentários são poucos para esse fim, não é por escassez mas porque ralos gigantes em outros setores consomem fortunas, para alimentar a onerosa máquina governamental.

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