O consumidor entre o otimismo e a cautela
É o que mostra a última pesquisa de intenção de consumo divulgada pela CNC
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sexta-feira, 24 de julho de 2026
É o que mostra a última pesquisa de intenção de consumo divulgada pela CNC
Folha de Londrina 
A última pesquisa ICF (Intenção de Consumo das Famílias), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), aponta um cenário econômico que combina sinais de recuperação com importantes alertas para o futuro. O avanço do indicador para 105,6 pontos, maior nível desde março de 2015, demonstra que as famílias brasileiras voltaram a considerar consumir, especialmente diante da desaceleração da inflação dos bens duráveis e da melhora nas condições de crédito.
O destaque da pesquisa é o expressivo aumento de 20% na disposição para a compra de bens de maior valor na comparação anual. Trata-se de um reflexo direto da perda de força da inflação nesse segmento, permitindo que consumidores retomem planos antes adiados. Em um país onde a inflação frequentemente compromete o poder de compra, o alívio nos preços tende a estimular decisões de consumo, movimentando o comércio e contribuindo para o crescimento da atividade econômica.
Além do ambiente inflacionário mais favorável, a pesquisa mostrou que as condições de financiamento também acompanharam esse movimento positivo, com o acesso ao crédito crescendo 0,8% no mês e 7,4% na comparação anual, somando 104 pontos. O nível de consumo atual registrou avanço gradual de 0,1% no mês e de 2,8% no ano, para 93 pontos
Mas o entusiasmo deve ser interpretado com moderação. O mesmo levantamento aponta uma queda consistente na perspectiva profissional dos brasileiros, que recuou pelo terceiro mês consecutivo e registrou a única variação negativa na comparação anual. Embora a avaliação do emprego atual permaneça positiva, cresce a preocupação com o futuro da ocupação e da renda.
Segundo a economista da CNC Catarina Carneiro, a combinação entre a alta da intenção de consumo e o relativo freio na perspectiva profissional traduz um comportamento mais racional por parte das famílias. Elas aproveitam o momento favorável para realizar compras represadas, mas evitam comprometer excessivamente o orçamento diante das incertezas sobre o mercado de trabalho. A cautela é ainda mais compreensível em um contexto de renda real pressionada e elevado endividamento de parte significativa da população.
Os números da ICF, portanto, transmitem uma mensagem clara: há razões para comemorar, mas não para relaxar. A retomada da confiança depende não apenas da inflação controlada e do crédito disponível, mas também da geração de empregos de qualidade, da recuperação consistente da renda e de um ambiente econômico que possa dar previsibilidade às famílias.
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