O conflito e o crime
Ao ler uma análise referente à política internacional, choquei-me com o ditado que dizia: desde que homem é homem, nos grandes conflitos só existe um crime: perder a guerra. A opinião parece incoerente por não ser correto justificar crimes de guerra simplesmente pela ação de vencer o inimigo. Mas ao analisar a história do cenário internacional, nota-se a genuinidade desta forma de pensar.
A Segunda Guerra mundial (1939-1945) possibilitou Adolf Hitler pôr em prática seu odioso plano anti-semita que resultou no holocausto de milhões de judeus. No início eles eram retirados de suas casas e postos em guetos, comunidades controladas por alemães e que possibilitava inibir com maior precisão o desenvolvimento racial-político e cultural dos filhos de Israel. No ápice da ascensão alemã eles eram confinados em campos fechados e obrigados a trabalhar sob regime de escravidão. Muitos morriam pelas más condições de vida, inclusive por inanição. Ao todo morreram seis milhões de
judeus. Muitos em câmaras de gás.
O atual julgamento do ex-ditador Slobodan Milosevic para a ex-Iugoslávia, em Haia, tem chamado atenção pelo marco na história do direito internacional onde, pela primeira vez, um chefe de Estado é levado a uma corte internacional para responder como mandante de crimes de guerra. Milosevic é acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e violações as leis e costumes de guerra por sua atuação como presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas da Sérvia e da Iugoslávia durante as guerras da Croácia (1991-95), da Bósnia (1992-95), e de Kosovo (1999). Se condenado, a pena máxima é de prisão perpétua. É como se Hitler tivesse sido capturado e julgado pelos crimes cometidos. Lamentavelmente, suicidou-se na primavera de 45.
Ocorre que as relações internacionais permanecem como terreno onde impera, na maioria das vezes, a lei do mais forte. Outros ditadores, também acusados de crimes contra a humanidade e que contam com a proteção de Washington e de outras potências imperialistas, seguem intangíveis no poder ou desfrutam tranquilamente de suas aposentadorias. Harry Trummam, presidente dos EUA na segunda guerra, ordenou que seus bombardeiros lançassem bombas atômicas sobre civis japoneses, respectivamente a 6 e 9 de agosto de
1945. A primeira em Hiroshima matou 92 mil
pessoas, e pelo menos 80 mil em Nagasaki. Trummam, juntamente com Winston Churchill, da Inglaterra, foram considerados os grandes vencedores daquele conflito. Mas como dizia o ditado: Desde que homem é homem...
LUIZ BALBINO DA SILVA JUNIOR é estudante de publicidade
em Maringá.





