Manter o comércio aberto até as 18 horas, em todos os sábados, estender esse horário até mais tarde em qualquer dia, abrir o expediente diário mais cedo ou depois das 8, abrir aos domingos, fechar a loja em outro determinado dia da semana ou por quantos dias o proprietário desejar, tudo isso deveria ser uma decisão exclusiva de cada comerciante e dos funcionários que com ele atuam. Tais liberdades não deveriam ser cerceadas, desde que leis como a do silêncio sejam respeitadas e os empregados recebam pelas tarefas extras. Nos países mais adiantados é assim que funciona, embora a maioria dos comerciantes opere nos horários convencionais. Na Europa é comum as lojas abrirem às 10 da manhã e fecharem às 20 para, assim, aproveitar a freguesia que deixa o trabalho às 18. Em Nova York há lojas (fora dos shoppings) que ficam abertas até as 22 horas e que também abrem aos domingos. Saltando da maior cidade do mundo e descendo para os vilarejos brasileiros, sabe-se que ali, sem exceção, as casas de comércio funcionam especialmente aos domingos, que é dia de grande afluxo dos fregueses da zona rural. Tudo segundo as conveniências de cada lugar. O que importa é justamente isto. No caso dos empregados, deve ser permitido, igualmente, que cada um opte por trabalhar ou não nesses horários e dias especiais, e sem puni-los por isso.
Londrina, a segunda mais importante cidade do Estado, vive uma guerra que se estende por várias décadas, porque de um lado estão os comerciantes que desejam abrir também fora do expediente normal, e de outro o sindicato dos comerciários, que se posiciona contra, havendo ainda casos de lojistas que não desejam inovações e querem permanecer no sistema tradicional. A Prefeitura faz valer o seu Código de Posturas e age, multando quem não seguir as normas estabelecidas. A Associação Comercial e Industrial quer a quebra das proibições e está em conflito com o Sindicato do Comércio Varejista, este argumentando que o volume de vendas não compensa horários extras.
Não prevalece o argumento de que abrir ou não abrir fora dos horários regulamentares não altera a situação do comércio, sob a justificativa de que as pessoas não têm dinheiro para gastar. Ocorre que há aqueles que só dispõem de certos momentos para ir às lojas, outros procedem das cidades vizinhas e aproveitam essas ocasiões especiais. Certo também que a oportunidade induz à compra. Se não for lucrativo para o comerciante abrir também em horários e dias extras, ele certamente retrocederá, mas esta é uma decisão que deve caber a ele. Já é tempo de o poder público, o sindicato e segmentos contrários da própria classe conscientizarem-se de que Londrina é sede de região metropolitana e não mais uma aldeia. Respeitadas as leis e pagando-se regularmente aos que trabalham, há que haver abertura para o livre comércio.

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