O combustível na pauta nacional
O brasileiro conseguiu mais um tempo de redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), mas o problema agora é abastecer o carro. Na semana passada, virou notícia nacional o aumento de forma orquestrada do combustível nos postos de Curitiba. O reajuste de R$ 0,50 no preço do litro da gasolina e de R$ 0,20 no preço do etanol pegou o consumidor de surpresa. O Procon-PR até procurou agir rápido e multou, na última quinta-feira, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis-PR) em R$ 1,2 milhão. O problema é que até a tarde de ontem a entidade que representa os donos de postos não tinha sido oficialmente comunicada da multa e o aumento continua em vigor. Em Curitiba, a maioria dos postos reajustou o valor da gasolina de R$ 2,39 para R$ 2,89.
A multa foi aplicada ao Sindicombustíveis porque o Procon constatou que os postos elevaram o valor do produto de maneira oportunista, às vésperas de um feriado nacional, surpreendendo muita gente que planejava viajar. Mas como o consumidor pode se defender de atitudes que ameaçam a sua saúde financeira? Na capital paranaense teve gente que tentou reagir e, no final de semana, aconteceram protestos isolados em vários postos organizados por meio do Facebook e do Twitter. Os motoristas abasteciam o valor de R$ 0,50, pagavam com cartão de crédito e pediam nota fiscal. Assim, o imposto cobrado da empresa será maior que o lucro da venda.
Não se sabe o efeito que o protesto vai causar. É saudável que a população mostre de maneira pacífica o seu descontentamento, assim como é necessário que o Sindicombustíveis justifique a razão do reajuste. E, mais importante ainda, que as medidas tomadas pelos órgãos competentes, como o Procon, realmente aconteçam de maneira rápida e eficiente.
Porém, maior protesto seria uma melhor conscientização do consumidor no sentido de exigir notas fiscais toda a vez que abastecer o carro ou comprar qualquer produto nas lojas de conveniência. Muitos postos só costumam fornecer o comprovante de pagamento quando solicitado e boa parte dos consumidores acaba deixando para lá.
Outra notícia negativa aumenta a preocupação de quem faz do carro o principal meio de transporte. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, há risco de faltar combustível em algumas regiões do Brasil neste final de ano - informação não confirmada pela Petrobras. Era só o que faltava: o racionamento de combustível.





