O combate à pobreza - João Dias Ayres
O combate à pobreza
João Dias Ayres
A discussão de saídas para o combate à pobreza no Brasil, que foi levada à comissão competente do Senado, está sendo feita com entusiasmo. Recentemente, por exemplo, no Senado, foram ouvidas as técnicas Sonia Peliano e Ana Rocha, do Instituto de Planejamento e Estudos Aplicados (IPEA), os senadores Pedro Simon e Nelson Marquezam, além de outros que, com entusiasmo e conhecimento apresentaram as mais diversas sugestões sobre tão importante questão, a das populações carentes, porque em extrema pobreza.
A discussão, em seus vários ângulos apresenta um lugar comum, o fator da pobreza que, para a maioria estaria ligado ao A) Desemprego (nas cidades de médio e grande porte); B) A acomodação à situação de miserabilidade (no nosso entender cabe a expressão plantando dá, não plantando dão; e C) A falta de estímulo (energia) por carência de saúde e de educação.
Neste último tópico, tomamos a liberdade de aduzir o conceito do sanitarista, aquele da velha guarda, da escola de Oswaldo Cruz, de Belizário Pena, de Emílio Ribas, de Monteiro Lobato, de Zeferino Vaz e de Luis de Campos Mello, Hudson Silva, Bichat Rodrigues, Jaque Drumond de Carvalho, de Agostinho Loyola, Arnaldo Busato, estes últimos a partir de Luis de Campos Mello, do nosso Estado, o Paraná. Patente aí, a Escola de Manguinhos, com seu esquema na área de saúde pública, e aplicada em Estados que evoluíram nesse setor (o Estado do Paraná, um deles, na ponta, porque Estado novo na Federação, trouxe aos seus dirigentes, a partir de Caetano Munhoz da Rocha, que era médico e governador de 1919 a 1921, todo um acervo e técnica em higiene e saneamento).
Incluiríamos nesse elenco o interventor Manoel Ribas que, de 1932 a 1945, implantou o Regulamento Sanitário do Estado, sob orientação de Luis de Campos Mello, em distritos sanitários e postos de higiene espalhados em todo o território estadual.
No organograma da então Secretaria da Saúde do Estado, estruturalmente, os vários departamentos e setores de saúde englobavam todas as atividades, no sentido de: 1) Bloquear as doenças transmissíveis, por medida de educação sanitária e de vacinação de rotina; 2) Atender portadores de tuberculose e de lepra em nosocômios apropriados: Sanatório da Lapa, Preventório de Castro; Hospital Colônia São Roque, em Piraquara (Curitiba), este último como abrigo e hospitalização para os casos de lepra naquele tempo não havia surgido sulfonas e outros antibióticos mais eficientes para o Mal de Hansen; Hospital de Isolamento de Curitiba, para doenças contagiosas tifo, varíola, pentigo etc.
Para essas duas doenças (endemias), o Estado tinha firmado convênio com o Ministério da Saúde, com o Serviço de Profilaxia da Tuberculose e com o Serviço de Profilaxia da Lepra, com diagnóstico precoce auxiliado pela abreugrafia e por laboratório.
Esse preâmbulo teve a finalidade de colocar-me no interesse do grande momento em discussão pelo IPEA, realizada no Senado. Vão aí, então, elementos históricos, baseados num esquema de trabalho que colocou o Estado do Paraná em destaque na Nação, e por isso, sinalizando um caminho fácil de trilhar porque trata a área de saúde pública, como medida preventiva, e de educação, naturalmente.
Esta colcha de retalhos em que se constitui esse grande país, com suas múltiplas diversidades, teria que ter um norte verdadeiro, aquele que assinalasse a direção no sentido do desenvolvimento sócio-econômico.
Na ótica de quem viveu várias dessas épocas e etapas, fica aos órgãos de planejamento oficiais, inclusive o da economia, como o IPEA, o seguinte lembrete: as coisas que deram certo não devem ser mudadas, mas estimuladas e acompanhadas.
É necessário não atrapalhar o progresso espontâneo de uma nação de incomensuráveis recursos, de um povo inteligente e que se sobressai pela sua criatividade. Lembremo-nos sempre do exemplo do nosso Estado, o Paraná.
- JOÃO DIAS AYRES é médico, ex-diretor do Departamento de Saúde do Estado e ex-chefe do 17º Distrito Sanitário de Londrina





