O ano de 2002 conseguiu avançar no combate ao tráfico de drogas, segundo o relatório da Polícia Federal a apreensão foi recorde na história do país ultrapassando 200 toneladas. O volume representou aumento de 30% em relação ao ano de 2001. O volume total de maconha em 2001 foi de 146 toneladas e no ano passado subiu para 190 toneladas. As apreensões de cocaína subiram de 8,3 toneladas para 9,1 toneladas.
Há dois anos, os policiais federais se surpreendiam com a apreensão de 8 mil frascos de lança perfume. Em 2002, o volume subiu para 17,8 mil. O ecstasy, uma das drogas que mais afetam o cérebro e o sistema nervoso, também preocupa. Em 2001 foram 1,9 mil comprimidos apreendidos, volume que subiu para 15,8 mil comprimidos no ano passado. O volume de apreensão que mais chamou a atenção da PF foi o de heroína, um tipo de droga que está invadindo o país. Em 2001, foram apreendidos 27,4 quilos da droga. Ano passado, o volume passou para 56,6 quilos.
Os estudos da PF indicam que o uso da heroína está se popularizando, em nível global. Isso aconteceria devido ao aumento da produção e oferta da droga, além da redução dos preços no comércio varejista. Segundo o relatório, a droga preocupa ''pelo alto potencial para causar dependência e estabelecer mercado''.
Os grandes financiadores da produção de heroína, de acordo com a PF, estão investindo em plantações de papoula na Colômbia, depois de serem pressionados a sair do Afeganistão. Para a PF, o aumento nas apreensões de drogas é reflexo de trabalho mais intenso. No ano passado houve acréscimo de 9,3% no número de inquéritos e de 24% no de traficantes indiciados e presos. As forças-tarefa com as polícias estaduais também são destacadas. Fica evidente, portanto, que a atividade policial é quem define e determina o rumo e os resultados das investigações necessárias que permitem a Justiça juntar os elementos para chegar à condenação dos verdadeiros culpados.
Para Marcelo Zaturansky Nogueira Itagiba, advogado e atualmente no cargo de superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, um outro ponto a ser analisado é a questão dos barões do crime. A droga e os armamentos são grandes commodities internacionais. Funcionam como uma rede mundial de distribuição onde se tem o núcleo produtor, o transportador, o distribuidor e representantes comerciais em cada local. O combate precisa acontecer nas duas pontas. No mercado produtor, que não é o caso do Brasil, nem mesmo na questão das armas, pois o país não produz armamentos pesados, e na ponta da comercialização. Neste ponto, é preciso agir contra a lavagem do dinheiro proveniente do crime.
Enfim, o volume de drogas apreendido pela Polícia Federal, em que pese ter aumentado em relação ao ano anterior, ainda é a ponta do iceberg e reforça o que tenho insistido de que hoje é plausível falar em nova violência. Para combatê-la, ''tanto o Banco Central quanto a Receita, a Polícia Federal e Rodoviária Federal, a Polícia Civil, a Militar, através de um núcleo, precisarão processar as informações que receberem, transformá-las em ação e comprová-las em um processo criminal contra os responsáveis pelo crime organizado no país'', enfatiza ainda Marcelo Itagiba.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é autora do livro ''A Política de Segurança Pública dos Governos Brizola e Moreira Franco à Margem da Nova Violência'' e docente da UEL e Uninorte

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