O círculo virtuoso do conhecimento
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de novembro de 2004
Hamil Adum Filho 
As universidades têm cumprido papel preponderante no desenvolvimento da humanidade. O conhecimento criado torna estas instituições cada vez mais imprescindíveis à sociedade. Partindo do pressuposto de que as organizações são, em essência, as pessoas, podemos entender que o maior valor de uma organização é o seu conhecimento. A relação da universidade com a sociedade se dá de forma quase absoluta, uma dependendo e fazendo parte da outra. A participação do Estado se dá através da contratação esporádica de projetos e responsabilidade pelo custeio, regulamentação e controle da legislação. Entretanto, o financiamento e investimentos a serem feitos na universidade demandam muito mais que recursos para manutenção. Precisamos de investimentos maciços em todas as áreas do conhecimento.
As universidades são competentes para criar e desenvolver ciência. A utilização prática deste conhecimento é feita pela sociedade. A necessidade de recursos financeiros para suportar este desenvolvimento é cada vez maior. Mas como consegui-lo? Quem deve bancar estes projetos? O setor público já dá sua contribuição.
O resultado do que se produz nas universidades é colocado à disposição das organizações a um custo muito baixo. Quando a universidade coloca no mercado de trabalho milhares de formandos qualificados, o faz sem receber de forma direta os recursos envolvidos no processo. A universidade seleciona, desenvolve, instrui, prepara e entrega ao ''mercado'' mão-de-obra qualificada que é absorvida pelas empresas. Precisamos aprimorar e melhorar este processo, que, em última análise, beneficia a todos. Este círculo virtuoso precisa ser estimulado através da participação efetiva das empresas, que se inserem no contexto geográfico das IES públicas.
O problema que se coloca é como fazer para conseguir recursos suficientes para viabilizar o desenvolvimento das universidades, e assim, atender às necessidades da sociedade, como ocorre tradicionalmente nos Estados Unidos, Canadá e, mais recentemente, na Europa.
O 17º Congresso Internacional de Educação Universitária, recentemente em Luxemburgo, debateu o tema. Participaram universidades e Fundações da Europa, Ásia, América do Norte e América Latina. Tivemos a oportunidade de apresentar demandas da UEL que requer aporte significativo de recursos que entendemos devem ter a participação da iniciativa privada, através da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina (FAUEL).
Assim, podemos estabelecer, via fundações de apoio, mecanismos que possibilitem a participação do capital privado no financiamento das instituições públicas, preservando a autonomia da universidade, sem, entretanto, abrirmos mão do dever que aquelas organizações que hoje recebem o conhecimento gerado participem de forma efetiva na sua manutenção e desenvolvimento. Devemos iniciar uma discussão, envolvendo os setores organizados, representantes das empresas, ex-alunos da UEL, para, quem sabe, iniciarmos um novo ciclo de desenvolvimento para a região, regido através da liderança da Universidade Estadual de Londrina.
HAMIL ADUM FILHO é presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina (FAUEL)
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